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Futebol

15/01 - 11:03

Apoiado por Romário e com "meninos danados", Bebeto promete surpreender no Carioca
Ex-atacante faz dupla com Romário nos bastidores do clube e não se assusta com os reforços dos quatro grandes. Ao ser indagado sobre metas, não deixa por menos: "Eu e o Baixo somos vencedores, queremos sempre o melhor. Sonhar não custa nada"

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro

Craque de Flamengo, Vasco e seleção brasileira, pela qual foi campeão mundial, Bebeto tem um currículo inquestionável como jogador. Começa, agora, a escrever outro capítulo da carreira. Convidado pelo amigo Romário, manager do América, ele virou técnico do clube. Chegou, viu, vestiu a carapuça de professor e optou por mesclar a juventude de alguns com a experiência de outros.

O objetivo? Tentar surpreender neste Estadual do Rio que, segundo Bebeto, deve ser só o começo no novo ofício: ele cogita seguir carreira na Espanha. Sobre o novo América, o ex-atacante não titubeia. Aposta alto. “O time é chatinho, tem uns meninos danados. Vocês vão ver”, afirma o tetracampeão na seguinte entrevista:

Gazeta Press
Ex-atacante está confiante em fazer um bom papel no Carioca


Há anos os quatro times grandes do Rio não têm ataques tão fortes. Você, como grande atacante que foi, aponta qual deles como o mais poderoso?

São todos muito fortes, não tenha dúvida. O Flamengo foi hexacampeão brasileiro. Tem o Adriano, que é um jogador de seleção, e ainda está para chegar o Vágner Love. O Botafogo precisa de entrosamento, mas contrataram dois goleadores. Não podemos esquecer que o Fluminense tem o Fred, de seleção, artilheiro nato. E há outros desconhecidos que podem surpreender. Acredito que o Carioca voltará a ser o melhor do Brasil, como sempre foi. Está nivelado.


Os rivais reforçados não assustam um pouco os seus jogadores? O que você diz para o seu zagueiro, por exemplo, que terá de encarar Adriano, Fred, Abreu, Herrera e Dodô?

Acho que isso motiva mais. Digo aos zagueiros para jogarem sem medo. Chegarem junto, sem violência. Não darem espaço para os caras. Qualquer bobeada, é saco, não tem jeito.

A espinha dorsal do América tem jogadores acostumados a pressão, como o goleiro Roberto, o volante Júnior, o lateral Claudemir, todos ex-vascaínos... Foi um pedido seu?
O time é chatinho, você vai ver. Temos tudo para fazer um grande campeonato, mas vamos com calma, tranqüilidade, humildade. O grupo tem trabalhado muito e os atletas não estão reclamando de nada. Querem treinar mais. A gente quer experiência com juventude. Tem de mesclar, senão fica difícil.


Como está sendo essa experiência como treinador? Estranhou muito?
Foi muito legal. Estou muito motivado. No primeiro dia parecia que estava estreando como foi quando era jogador. A garotada tem um respeito muito grande por mim. Peço as coisas, elas vão dando certo e aí tudo fica mais fácil. Outro dia saiu um gol aqui de uma jogada que fizemos no treino, as triangulações. Quando eles começam a ver que (o treino) dá resultado, as coisas acontecem.


Por ter sido um atacante de sucesso, você tem tendência a se preocupar só com o ataque?
Com certeza! Por isso que montamos um grupo de trabalho excelente, com gente experiente. Estamos no mesmo barco, um ajudando o outro. Não tem vaidade. Sempre nos reunimos, ouço opiniões. Dou essa abertura. Desde semana passada está todo mundo trabalhando com muito empenho, alegria. Vocês vão ver, o time tem uns meninos danados. O Alanzinho, o Jones Carioca...

Gazeta Press

Bebeto fará sua estreia em jogos oficiais como treinador do América-RJ


Você traça alguma meta, alguma posição na tabela que deseja alcançar neste Estadual?
A gente quer sempre o melhor. Sou vencedor, o Baixo (Romário) também é. Vamos com humildade, mas procurando sempre o melhor. Ainda é cedo para falar, mas não custa nada sonhar. Colocamos na cabeça deles que podem. No futebol tudo é possível.


Tem algum jogador no América que lembre o seu estilo no ataque?
O Adriano. É até baiano. Muito rápido, se movimenta bastante. E sabe fazer gol, tirar do goleiro com tranqüilidade. Rapaz, você vai ver. Estamos trabalhando aqui no silêncio.


Os últimos três estaduais tiveram uma hegemonia de Flamengo e Botafogo. Acredita que esse quadro poderá ser quebrado?
Acho que sim. E acho que (o Estadual do Rio) voltará a ser o melhor do Brasil, como sempre foi. De uns três anos para cá, o Paulista, para mim, foi melhor. Mas este ano, devido aos times terem se reforçado, acho que será o melhor. E será nivelado. A gente que já vem treinando tem de tirar proveito desse início de campeonato, especialmente na parte física.


E tem chance de você entrar em campo para ajudar?

Não! Pelo amor de Deus, meu tempo acabou. Agora sou treinador, tenho uma prótese no quadril, não vai acontecer isso não.


"Acho que (o Estadual do Rio) voltará a ser o melhor do Brasil, como sempre foi. De uns três anos para cá, o Paulista, para mim, foi melhor. Mas este ano, devido aos times terem se reforçado, acho que será o melhor"


Daquela época com o Romário na Copa do Mundo de 1994 o relacionamento era bom, não se notava a vaidade atrapalhando. O que usa hoje em dia daquele Mundial?

A gente fala muito disso aqui. Aquele foi um grupo vencedor pela união, pela perseverança. Não só daquela Copa, mas também da Copa de 90. O grupo vivenciou momentos ruins e bons. Diziam que a Era Dunga tinha acabado. E a Era Dunga tinha eu, Jorginho, Dunga, muita gente boa. Não podia acabar. Todos os erros cometidos em 90 nós não repetimos. Colocamos na cabeça que em seleção não se ganha dinheiro, mas sim depois em uma possível transação. A preocupação era entrar para história. Eu dormia pensando nisso.


Como era o Romário como atleta e agora como é enquanto dirigente?

Como jogador, não tem nem o que falar. Foi o melhor parceiro da minha vida. O Baixo dispensa comentários. E como manager tem dado esse suporte, está começando, como eu também estou. Voltar a conviver com ele tem sido uma alegria. A relação é ótima, tudo isso facilita. O Romário é aquele cara muito verdadeiro. O que ele tem de falar, vai falar na sua cara. É assim que eu gosto.


O seu melhor momento na seleção certamente foi em 94, não é? E qual foi o pior?

O pior foi a Copa de 90 mesmo. Acabei me machucando.


E como foi a de 98? Você conversou com o Romário sobre aquele corte, que foi traumatizante para ele?

O negócio do Romário foi a panturrilha, né? Aí não podia jogar. Mas o problema do Ronaldo prejudicou a gente. Ele passou mal no dia do jogo (final). Não era para ser. Foi uma correria na concentração, gente pensando que ele estava morrendo. Quem presenciou aquilo sabe como foi. Ele teve uma convulsão. Espumou pela boca, uma coisa horrível. O Roberto Carlos, que estava no quarto, viu e saiu desesperado gritando o meu nome. Foi uma loucura. Levamos dois gols de bola parada. Gols do Zidane, de cabeça. Foi um dos melhores que vi jogar, mas não sabe cabecear e fez dois de cabeça. Em um ele empurrou até o Leonardo, mas o cara (árbitro) não ia dar (falta) nunca.

Gazeta Press
Bebeto falou sobre o problema de Ronaldo na Copa de 98: "Uma coisa horrível"


Como foi de fato aquela história do pênalti perdido que custou o Espanhol ao La Coruña? Você não bateu, o Djukic perdeu e o título ficou com o Barcelona. Isso ainda incomoda?

Aqui é que veio essa história que eu tinha pipocado. Quem vinha batendo pênalti era o Djukic (zagueiro da então Iugoslávia) e o Donato. Tive um estiramento. Uma ruptura de quatro centímetros no adutor. E tudo é treinamento. O Djukic é um cara que nem em coletivo errava o pênalti. Era impressionante. Parecia o Geovani (ex-Vasco) cobrando, que quando estava na seleção eu nunca vi ninguém bater igual. Com esse problema (lesão) parei de treinar. O campo estava sempre pesado, chovia bastante, e nesse dia tinha muita lama. O Donato tinha saído. Falei com o Djukic: “Deixa eu bater”. Daria uma pancada, forte. Ou iria lá em cima ou entraria com goleiro e tudo. Não dava para bater do jeito que eu estava acostumado, colocado e forte, porque o campo estava muito pesado e a perna de apoio poderia escorregar. Aí ele veio e me disse: “Pode deixar que eu vou fazer”. Respondi: “Vai lá meu irmão, boa sorte”. Mas para nós terminar o campeonato empatado com o Barcelona, perdendo apenas no saldo de gols, já foi uma vitória.

Terminou o jogo ele veio chorando, pedindo desculpa, dizendo que poderia ter deixado eu bater. Mas eu poderia ter perdido também. Foi uma fatalidade. Tem uns caras maldosos aqui e acabam denegrindo a sua imagem. Essa é a palavra. O Djukic ficou arrasado. Depois ganhamos a Copa do Rei. Sou consagrado lá. Sou o maior artilheiro da história do Deportivo. Não posso ir a La Coruña que me carregam nos ombros.


A carreira de técnico, então, pode seguir na Espanha?

Quem sabe, tudo pode acontecer. Primeiro tenho de fazer meu trabalho no América. Quando resolvi ser treinador, a primeira pessoa que me ligou foi lá do La Coruña, perguntando quanto eu iria para lá. Eu disse: “Rapaz, tem um treinador aí, está fazendo um grande trabalho...”. Mas tudo pode acontecer. Tem de haver respeito e ética profissional. Agora estou pensando mesmo no América. Quero fazer um grande trabalho aqui.


"A Era Dunga tinha eu, Jorginho, Dunga, muita gente boa. Não podia acabar. (...) Colocamos na cabeça que em seleção não se ganha dinheiro, mas sim depois em uma possível transação. A preocupação era entrar para história. Eu dormia pensando nisso"


De todas essas experiências, qual foi a primeira história que você contou para o grupo? Já preparou alguma coisa para a preleção do primeiro jogo?

Por enquanto nos preocupamos mais com a parte física, esquema de jogo. Na concentração é que a gente começa a falar mais. Temos conversado mais dentro de campo, as jogadas, até para eles entenderem o que a gente quer. Para a estréia será com certeza a Copa de 94. Quero um ajudando o outro, um grupo unido, fechado. Aí poderemos chegar. Todo mundo junto. Tenho um DVD que se chama "superação" que vou mostrar para os meninos na estréia.


E a carreira de empresário, acabou mesmo?

Já me desvinculei totalmente. Mandei uma carta para a Fifa avisando. Era o agente número 97. Agora sou treinador de futebol. Não quero mais saber de negócio de empresário.


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Romário e Bebeto

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