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Futebol

23/10 - 19:16

Gre-Nal é Gre-Nal: Os números incríveis do clássico de maior rivalidade do Brasil

Clássico, que será disputado no fim de semana, além da rivalidade, vale a oportunidade para as duas equipes se manterem atrás de seus objetivos no Brasileirão

Por Airton Gontow, especial para o iG Esporte

PORTO ALEGRE - O turista que entra em Porto Alegre pela Freeway se depara com um grande outdoor colocado ao lado da estrada: “S. C. Internacional – campeão do mundo”. Algumas centenas de metros depois, um outro outdoor recebe o visitante: “Bem-vindo à Terra do Campeão do Mundo – Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense”. Já na capital, gaúcha, percebe nas calçadas centenas de pessoas caminhando, mesmo em dia de trabalho, com camisetas gremistas ou coloradas. Se observa um pouco para cima, vê em inúmeras janelas de prédios ou nas fachadas das residências bandeiras azuis e vermelhas, ainda que não seja dia de jogo ou semana decisiva de campeonato.

Quando ruma para o litoral ou para a charmosa Serra Gaúcha, o cenário que encontra é o mesmo. Camisetas nas ruas e bandeiras nas janelas. Se esticar o ouvido, sempre poderá escutar uma criança gaúcha dizendo feliz para os pais: “Contei 27 camisetas e 14 bandeiras do nosso time, contra 23 camisetas e 12 bandeiras deles”.

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Isso porque, ao contrário do que a totalidade da mídia brasileira tem dito, o grande clássico gaúcho Gre-Nal, que recentemente completou 100 anos de existência, não terá no dia 25 de outubro, no estádio Beira-Rio, o seu 378º embate. Quem já viu de perto a incrível rivalidade gaúcha sabe que domingo será mais nada menos que o 36.598º dia* de confronto entre gremistas e colorados, já que no Rio Grande do Sul o Gre-Nal acontece todos os dias do ano!

Segundo disse certa vez o grande cronista Luis Fernando Veríssimo, os gaúchos costumam dizer que “Deus fez o mundo em sete dias, porque precisava do ano para caprichar no Rio Grande”. É, obviamente, um exagero.  Mas o povo do Sul não pode ser acusado de bairrismo quando afirma que “o Gre-Nal é o maior clássico do País”. 

Há poucos meses uma pesquisa realizada entre jornalistas de todo o Brasil pela revista Trivela apontou que clássico do Rio Grande do Sul é mesmo o maior do País. Quem percorre os vários estados em coberturas esportivas pode comprovar que nenhum outro clássico supera o Gre-Nal.


Equilíbrio total
Muitas podem ser as explicações para a rivalidade que divide o Rio Grande entre vermelhos e azuis. Algumas podem ser sociológicas, já que a bipolaridade sempre esteve presente no Estado – desde os Maragatos e Chimangos. Mas a principal explicação se encontra no próprio futebol: em nenhum estado dois times se confrontam há tantos anos e com tamanho equilibro de forças (veja o box estatístico ao final deste artigo).

No Rio de Janeiro e, especialmente, em São Paulo, os campeonatos estaduais são mais difíceis e equilibrados, mas as rivalidades são diluídas entre as grandes equipes. Para muitos corintianos, hoje o grande inimigo não é o Palmeiras, mas o São Paulo. O Fla-Flu é o jogo mais charmoso do futebol carioca, Flamengo e Vasco reúnem as maiores torcidas, mas recentemente são Flamengo e Botafogo que protagonizam os grandes embates.

Em Minas, os dois clubes jogam no mesmo estádio e, até a década de 1960, era o América (não o Cruzeiro) que fazia contra o Galo o chamado “Clássico das Multidões”. Clube de uma das torcidas mais apaixonadas do Brasil, o Atlético – time historicamente mais prejudicado pelas arbitragens no país – está hoje bem atrás do rival em qualquer ranking que se faça. Além disso, quem já esteve no norte de Minas ou mesmo na região de Juiz de Fora sabe que é mais fácil encontrar gente vestindo a camisa de uma equipe carioca que do próprio Estado. O mesmo acontece no sul de Minas, onde os times paulistas competem de igual pra igual com os mineiros pela preferência da torcida.   

Há duas equipes rivais na Bahia. Mas o tricolor tem 43 títulos contra apenas 25 do Vitória. Isso sem contar que equipes como Ypiranga, Botafogo e Galícia também já foram forças consideráveis, com 10, sete e cinco títulos, respectivamente. E apenas o Bahia já conquistou um título nacional. Em Pernambuco, são três times: o Sport, com 38 conquistas, está bem à frente de Santa Cruz (24) e Náutico (21 títulos). As equipes são rivais apenas em competições estaduais e somente o Sport já ganhou título nacional. Em outros estados do Norte e Nordeste existem rivalidades notáveis, mas muitas vezes há uma terceira equipe e sempre existe um fortíssimo contingente de torcedores de clubes cariocas.

Em Curitiba, são 33 títulos do Coxa contra 22 do Atlético. O Paraná Clube tem sete títulos, que chegam a 29 quando somados aos que seus antecessores – Pinheiros e Colorado (por sua vez, uma fusão de Ferroviário, Britânia e Palestra) – conquistaram. Além disso, no norte do Paraná a maioria torce para times paulistas, enquanto que no Sul, muitos torcem para gaúchos e paulistas.

Somente no Rio Grande do Sul há uma paridade quase que absoluta entre os dois times. Os dois rivais disputam acirradamente o predomínio na cidade, no Estado, no país, no continente e no mundo. Apenas no Rio Grande é que, ou se é azul, ou se é vermelho.


Quanto pior, melhor
Em que outra rivalidade os torcedores de um time procuram tanto desqualificar o título do outro? Para os gremistas, o Inter só ganhou a Libertadores porque a final foi contra um time brasileiro, e o Mundial porque o Barcelona estava completamente desfalcado. Para os colorados, o Mundial do Grêmio não vale, porque não foi disputado entre todos os continentes, raciocínio que tiraria de Pelé seus dois títulos mundiais de clubes e, ainda, a Copa do Mundo de 1958 e 1962 da Seleção Brasileira, já que foi disputada apenas por europeus e sul-americanos. 

Em que outro estado os comícios do PT teriam bandeiras azuis colorindo a paisagem, já que gremista que é gremista se recusa a erguer uma bandeirinha vermelha? Mesma lógica que explica a profusão de Papais Noeis azuis alegrando os lares gremistas nos dias de Natal.  Onde mais aviõezinhos sobrevoam o estádio do inimigo com faixas provocativas, como “Eles (o Inter) estão fora”, em 1996, e “Inter – o único campeão de tudo”?, em 2008.   

Se mesmo com o texto acima e os números estão a seguir você não conseguir entender direito o que é o Gre-Nal, há uma frase exemplar (creditada ao ex-governador do Rio Grande do Sul e patrono colorado Ildo Meneghetti, mas provavelmente de autoria do jornalista gaúcho Carlos Nobre) que é usada pelos gaúchos para traduzir  “perfeitamente” o clássico que acontece no próximo domingo e em todos os dias de suas vidas: “Gre-Nal é Gre-Nal”.    

Principais títulos

Grêmio

Inter

Mundial

1

1

Libertadores

2

1

Copa Sul-Americana

0

1

Recopa

1

1

Campeonato Brasileiro

2

3

Copa do Brasil

4

1

Copa do Sul

1

0

Campeonato Gaúcho

35

39

Campeonato de Porto Alegre

29

24

Curiosidades

Maiores goleadas em Gre-Nal

10x0 e 10x1

7x0 e 6x0

Quedas à segunda divisão

2

0

Vitórias em Gre-Nal

119

141

Gols em Gre-Nal

501

539

Maior série invicta em Gre-Nal

14

17

Maior sequência de vitórias

6 (repetido 4 vezes)

5 (repetido 4 vezes)

Maior série de títulos seguidos

1962-1968

1969-1976

Maior artilheiro em Gre-Nal

Luiz Carvalho (17 gols)

Carlitos

(42 gols)

 

 

 

 


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Grêmio x Inter

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Tido por muitos como o maior clássico do Brasil, o Gre-Nal é garantia de muita rivalidade em campo

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