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Futebol

18/04 - 21:35

Torcida festeja agressão de Diego Souza e vaia Keirrison
Torcedores nas numeradas assistiram quase toda a partida sentados, sem gritar muito, quase conformados com o desastre

Mauricio Stycer, repórter especial do iG

SÃO PAULO - Diego Souza já caminhava para os vestiários, expulso, quando a torcida começou a gritar o seu nome. Fora de si, o melhor jogador do Palmeiras pulou uma placa de publicidade, retornou ao gramado e agrediu Domingos. A torcida foi ao delírio – festejou mais, talvez, do que o gol de Pierre.

Foi uma tarde infeliz para os torcedores – tanto nas arquibancadas quanto nas numeradas, onde se concentra a famosa Turma do Amendoim. O artilheiro do time, Keirrison, campeão de escorregões e bolas perdidas, foi mais de uma vez vaiado.

“Sai da marcação, Keirrison”, implorava, desesperado, um torcedor nas numeradas. “Leva o Keirrison pro Japão! Leva ele pra Coréia”, gritava outro, apontando para espectadores de origem oriental, que assistiam a partida nos camarotes.

Só Diego Souza se salvou – antes da expulsão, era aplaudido a cada esforço, infrutífero, que fazia de levar o time ao gol. “Só o Diego joga neste time”, repetia um torcedor, ao fim do primeiro tempo.

No intervalo, a conspiração rolou solta entre um grupo de sócios do clube. “O centro-avante está com a cabeça na Europa?”, perguntou um, fazendo referência a Keirrison. “Vamos lá conversar com ele”.

“Quantos treinadores de nível para dirigir o Palmeiras tem no mercado?”, perguntou um. “Felipão? Esquece! Só daqui a dois anos”, disse outro.

Os torcedores nas numeradas assistiram quase toda a partida sentados, sem gritar muito, quase conformados com o desastre. Nas arquibancadas, de pé, por 90 minutos, só gente animada. Antes de começar o jogo, em vez de cantar “Poeira! Poeira! Levantou poeira””, a galera mandou: “Chiqueiro! Chiqueiro! Festa no chiqueiro!”

Depois do primeiro gol do Santos, enquanto a turma das numeradas acompanhava tudo em silêncio, gesticulando e olhando para os céus, nas arquibancadas parecia acontecer outro jogo. Sem parar um instante, a massa gritava: “Dá-lhe porco! Dá-lhe porco!”

Ao meu lado, um pai, acompanhado de duas meninas de não mais de seis anos, xingou o árbitro Sálvio Spínola de todos os palavrões disponíveis no seu vocabulário, depois de uma falta não marcada para o Palmeiras. Parecia que ia passar mal. “Papai está bravo, mas tudo que eu falei vocês esquecem”, ele pediu às filhas.

Aos 20 do segundo tempo, parte da turma das numeradas começou a ir embora. Mas o frango que Fabio Costa engoliu, aos 28, acordou o estádio. O pessoal das numeradas, pela primeira vez, se levantou. Mais que isso, os torcedores subiram nas cadeiras. O Palmeiras tinha 17 minutos para fazer dois gols – tarefa impossível frente ao que estava jogando. Mas torcedor, nessas horas, não pensa. E “dá-lhe porco! Dá-lhe porco!”.

Não deu.


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AE

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