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Futebol

18/04 - 09:45

"Defenderei a Itália como meu país", diz brasileiro
Convocado para a seleção italiana sub-20, o brasileiro Rodrigo Possebon afirma que não se importa com as críticas pela opção

Trivela.com

ROMA (Itália) - Revelado no Internacional, o jovem Rodrigo Possebon, de 20 anos, recentemente convocado para defender a seleção sub-20 da Itália, falou sobre suas expectativas de vestir a camisa de uma nação europeia, e sobre sua relação com o elenco do Manchester United.

O volante brasileiro, que tem passaporte italiano, foi chamado para o amistoso contra a Alemanha, dia 22, pelo Torneio das Quatro Nações, um ano após sua transferência para o clube inglês, e garante que não se importa com a opinião das pessoas contra sua posição de jogar pela Itália, e não pelo Brasil.

Realizando sonho de infância de atuar na Europa, Possebon confessa que, apesar do pouco espaço na equipe de Alex Ferguson, pretende continuar batalhando por uma vaga como titular no United, ao invés de buscar uma transferência a um clube que lhe dê maior visibilidade.

Você temeu pelo pior na entrada violenta do Pogatetz no jogo contra o Middlesbrough? Ele se desculpou depois?

No momento do lance, eu senti uma dor insuportável, depois fui levado pro hospital, e ficou tudo bem, em um mês eu já estava jogando de novo. Mas ele não pediu desculpas. Segunda a imprensa, ele procurou meu telefone, ligou no Manchester, mas, na verdade, eu nunca falei com ele diretamente sobre isso.

O que jogadores veteranos do clube, como Giggs e Scholes, procuram transmitir para os mais jovens e recém-chegados?

Eles são os termômetros da equipe, são eles que baixam a bola, acalmam o time nos momentos de decisão, são mesmo os mais experientes. Eles procuram passar pra gente sua experiência.

A que você atribui a queda de rendimento do time nas últimas rodadas da Premier League, permitindo a aproximação do Liverpool?

Não acho que foi realmente uma queda de rendimento, nenhuma equipe consegue manter o mesmo nível o tempo todo. Por o Manchester ter sido campeão europeu na temporada passada, e ser favorito ao título inglês, faz-se muita expectativa em torno dos nossos resultados. Continuamos vencendo, e acho que está tudo certo, indo bem.

Qual é o foco do Manchester United na temporada? Vencer a Premier League, ou a Liga dos Campeões?

Com certeza, os dois. Estamos vindo pra brigar pelo maior número de títulos, e queremos levar tanto o título inglês, como vencer novamente a Liga dos Campeões.

Como foi para você a conquista da Carling Cup, tendo feito parte do time na maioria dos jogos e inclusive na final?

Foi bárbaro, sensacional! Meu primeiro título no Manchester, na Europa, foi uma emoção incrível. Claro que não é uma competição de expressão tão grande como as outras, mas para mim foi uma ótima experiência.

A concorrência por vagas no Manchester United é complicada, há muitos jogadores bons para a mesma posição. O que você acredita que é o melhor para você na próxima temporada, um empréstimo ou permanecer no time para lutar por um espaço?

Meu objetivo é trabalhar para ficar aqui, no Manchester. Claro que há muita concorrência, excelentes jogadores, de altíssimo nível disputando, mas meu objetivo é ficar e conquistar o meu espaço por aqui.

Você acha que a convocação para a seleção italiana sub-20 vai te dar mais visibilidade, nessa busca por espaço?

Claro, com certeza. Atuar em uma seleção europeia dá muito mais valorização ao jogador. E esse é meu objetivo agora, jogar muito bem pela Itália, para continuar encaminhando meus objetivos.

Você acha que tem muitas “estrelas” no Manchester United?

Não, e isso foi uma coisa que me surpreendeu. Esperava chegar aqui e encontrar todo tipo de “estrelismo”, mas o pessoal aqui é mesmo humilde, pé no chão, não tem tratamento especial ou diferenciado para cada jogador, somos todos como iguais.

A ascensão meteórica do Macheda, salvando o Manchester garantindo a vitória nos dois últimos jogos da Premier League, foi surpresa para muitos. Dentro do clube, vocês já esperavam que ele tivesse este impacto no time?

Claro, de maneira alguma foi surpresa para nós. Todos já esperávamos. Ele é um jogador que marca muitos gols, sempre marcou, quando jogava na equipe B, ele fazia gols direto. É uma coisa natural dele, algo que ele vai levar pro resto da vida.

Você espera jogar do lado dele na seleção sub-20?

Seria uma grande honra, ele é um grande jogador. Adoraria poder defender a seleção italiana ao seu lado, seria demais.

Como é o relacionamento com o treinador Alex Ferguson no dia-a-dia? Ele procura conversar sempre com vocês ou o contato é limitado?

É uma relação normal, entre treinador e atleta. Ele é sempre presente, dá atenção especial aos mais jovens quando necessário, é uma pessoa que realmente sabe o que falar quando precisamos de motivação.

Como é seu convívio com o Rafael e o Fábio no Manchester?

Foi um dos pontos fundamentais para minha adaptação aqui na Inglaterra, chegar e encontrá-los. É muito bom conviver com pessoas que falam a mesma língua que você, estamos sempre juntos, vamos jantar, comer pizza um na casa do outro. Foi uma grande razão para que eu me sentisse à vontade quando cheguei.

Você teme algum tipo de reação negativa, no Brasil ou na Itália, por sua decisão de defender a seleção italiana?

Não dá para agradar todo mundo. Eu já esperava a convocação, quando tirei o passaporte italiano, e trabalhei buscando isso. Fiquei muito feliz, e foi uma opção e decisão minha, que já tomei há muito tempo. Foi o país que reconheceu o meu trabalho, é a pátria que está me valorizando. Opinião, todo mundo tem a sua. Vestirei a camisa da Itália como se fosse meu próprio país.

Como se sentiria, eventualmente, defendendo a Itália na Copa de 2014 no Brasil?

Não haveria coisa maior como meu objetivo, jogar contra o Brasil em 2014, aí mesmo no Brasil. Seria a realização de um sonho.

Você fala italiano?

Falo pouco, estou estudando já há dois meses. Fiquei um período na Itália, para tirar meu passaporte, e aprendi um pouco.

Você acha que isso pode te atrapalhar na seleção?

Como já estou estudando há dois meses, creio que conseguirei me virar. Entender é bem mais fácil que falar. O inglês aqui foi tranquilo.

Você surgiu no Internacional. Por que não continuou por mais tempo no clube? Achou que era o momento certo de sair?

Sim, acho que era a hora certa de vir para a Europa, coisa que sempre pensei, desde criança. Quando recebei a proposta, nem pensei em recusar. Foi bom para mim e para o Inter, não podia perder a chance. Acabei fazendo o caminho inverso dos grandes nomes brasileiros, cheguei lá desconhecido, em vez de primeiro fazer nome no Brasil.

Por € 350 mil, você não saiu muito barato para o Manchester?

Pois é, mas o que posso dizer (risos)? Foi a proposta que me fizeram, e eu aceitei logo. Espero que com o tempo fique provado que foi barato mesmo.

O Inter tem revelado diversos jogadores nos últimos anos. A estrutura lá é muito boa mesmo?

O Inter realmente tem uma escola diferenciada, todo ano revela jogadores. É uma característica própria do clube, que revela grandes profissionais. Espero que continue sendo assim, que continuem a formar novos talentos.

Quais suas expectativas para o Mundial sub-20 do Egito?

Claro, espero ser convocado, e esse é meu objetivo principal, é para isso que venho trabalhando, para garantir minha vaga. Jogar pela Itália é incrível, eles não entram em nenhuma competição com um pensamento diferente do que levar o título. E é isso que vou tentar, trabalhar para levar a seleção à vitória do Mundial.

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