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Futebol

24/03 - 16:13

Sem Cruzeiro, clubes apostam em nostalgia para unificar títulos brasileiros
Diretores de Palmeiras, Santos, Botafogo, Fluminense e Bahia apresentaram um dossiê para multiplicar seus feitos

Gazeta Esportiva

SÃO PAULO - O Salão Nobre do Palestra Itália tornou-se nesta terça-feira um palco de nostalgia para convencer a CBF a transformar as conquistas entre 59 e 70 da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, ambos já extintos, em títulos brasileiros. Com a ausência de Zezé Perrella, presidente do Cruzeiro, diretores de Palmeiras, Santos, Botafogo, Fluminense e Bahia apresentaram um dossiê para multiplicar seus feitos.

O espaço localizado abaixo das numeradas do estádio palmeirense estava decorado com um painel que expunha fotos dos vencedores das competições nacionais antes da criação do Campeonato Brasileiro, em 71. Todos eram chamados de campeões brasileiros. Acima do quadro, um telão exibia gols das decisões daqueles torneios, para deleite de ex-jogadores presentes.

Campeões do Robertão de 69 - também chamado de Taça de Prata - pelo Verdão, o ex-técnico Mário Travaglini, o ex-goleiro e atual coordenador técnico palmeirense Valdir de Moraes (que também venceu as Taças Brasil de 60 e 67 e os Robertões de 67 e 69), o ex-centroavante César Maluco e o ex-meia Ademir da Guia (ambos também levantaram a Taça Brasil e o Robertão de 67), reforçados por Leivinha, atacante do Palmeiras bicampeão brasileiro em 72 e 73, se admiravam com as imagens.

"Você viu o meu gol?", indagou Ademir da Guia a um César Maluco que analisava com cuidado e saudades o painel antes do início do evento. "Nunca é tarde para fazer justiça e reconhecer estes títulos. Você não pode dizer, depois que conquistamos, que estes títulos não valeram nada", cobrou o ex-atacante, acompanhado pelo Divino. "Já demorou muito para termos estes Brasileiros. Sempre os contei assim, desde que os conquistei", completou o ex-camisa 10 alviverde.

Munidos destas palavras, os dirigentes apresentaram o dossiê "Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959", escrito pelo jornalista Odir Cunha, que utilizou como principais fontes de pesquisa os arquivos do jornal A Gazeta Esportiva e da revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, que originaram o portal Gazeta Esportiva.Net.

A iniciativa do documento partiu do Santos, pentacampeão da Taça Brasil (61, 62, 63, 64 e 65) e campeão do Robertão (68). Somados aos dois títulos brasileiros já homologados (2002 e 2004), o clube ultrapassaria o São Paulo, dono de seis conquistas (77, 86, 91, 2006, 2007 e 2008), e chegaria a oito taças nacionais, número que também seria alcançado pelo Palmeiras, bicampeão da Taça Brasil (60 e 67), bicampeão do Robertão (67 e 69) e tetracampeão brasileiro (72, 73, 93 e 94).

Quem também se daria bem é o Bahia, que venceu a Taça Brasil de 59 - o primeiro campeonato nacional interclubes - e o Brasileiro de 88; o Cruzeiro, que triunfou na Taça Brasil de 66 e no Brasileiro de 2003; o Botafogo, dono da Taça Brasil de 68 e do Brasileiro de 95; e o Fluminense, detentor do Robertão de 70 e do Brasileiro de 84. Todos estas conquistas foram relembradas com detalhes por Luiz Gonzaga Belluzzo, presidente do Palmeiras e anfitrião do evento, que até cobrou César Maluco por um gol perdido na final do Robertão de 67, vencido pelo Verdão.

Diante de tantas recordações, José Carlos Perez, superintendente de futebol do Santos na capital e responsável pela iniciativa, distribuiu cópias do dossiê a Belluzzo; Marcelo Guimarães Filho, presidente do Bahia; Antonio Carlos Mantuano, vice-presidente do Botafogo; Daniel Bastos, vice-presidente do Fluminense; e Norberto Moreira da Silva, vice-presidente do Santos. Zezé Perrella, que havia confirmado presença, alegou contratempos em Belo Horizonte.

Depois disso, Odir Cunha passou a dar argumentos para a validação das conquistas como títulos brasileiros, com reportagens da época e até fotos, como uma em que jogadores do Bahia recebem faixas com a inscrição "Campeão Brasileiro de 59". O jornalista disse que o futebol europeu registra como campeões nacionais até mesmo clubes vencedores antes da criação das ligas, e ninguém contesta estes feitos. E lembrou que a CBF só substituiu a CBD, antiga Confederação Brasileira de Desportos, em 79, quando o atual Brasileiro já estava em sua oitava edição.

"O João Havelange (presidente da CBD em 59) criou a Taça Brasil para definir o campeão nacional e indicar o dono do título para a Libertadores. E foi ele que criou posteriormente o Robertão e o Brasileiro, que só adotou este nome em 89 - já foi Nacional, Copa União e até Copa Brasil. É infundado dizer que a Taça Brasil é igual à Copa do Brasil, já que era a principal competição do país e a Copa do Brasil foi criada como alternativa para quem não estava no Brasileiro", informou Odir.

A crença em sucesso na empreitada é uma carta timbrada enviada por João Havelange, presidente de honra da Fifa e da CBF, apoiando a iniciativa. Além disso, os presentes no evento foram lembrados de que a Taça Brasil e o Robertão tinham seus astros nas seleções brasileiras campeãs das Copas do Mundo de 58, 62 e 70 - ao final da apresentação, imagens de jogadores como Pelé, Garrincha, Rivellino, Ademir da Guia, Djalma Santos e Tostão foram mostrada sob a música "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso, cantada por Gal Costa.

Com toda esta pompa, os diretores pretendem repetir o evento em Minas Gerais, para ter a presença de dirigentes cruzeirenses. Posteriormente, os presidentes de Palmeiras, Santos, Botafogo, Fluminense, Cruzeiro e Bahia devem se reunir novamente, desta vez na sede da CBF, no Rio de Janeiro, para entregar o dossiê a Ricardo Teixeira, mandatário da entidade nacional. É a chance de reaver títulos que todos nestes clubes cobram como brasileiros.


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