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Futebol

23/03 - 15:41

Válber, ex-Mogi Mirim: O craque que não foi
Meia teve início promissor no "Carrossel Caipira", mas acabou ofuscado por Rivaldo

Trivela.com

SÃO PAULO - Quem acompanha a modorrenta edição 2009 do Campeonato Paulista e, em especial, a agonia do Mogi Mirim rumo ao rebaixamento, sente saudade dos grandes times do interior e fica propenso a folhear a história do torneio em busca de algo mais emocionante que Bragantino x Guaratinguetá. Pelos idos de 92 este leitor encontrará algo sobre o Carrossel Caipira do Mogi Mirim de Vadão, protagonizado por Válber da Silva Costa. Estrela da companhia e muito bem assessorado por Leto e por Rivaldo, Válber foi vítima de uma mazela bastante frequente no futebol: o excesso de expectativa.

Válber é maranhense de São Luís e completou 37 anos no dia 6 de dezembro. Iniciou sua trajetória aos 20 anos pelo Santa Cruz, chamando a atenção do Mogi Mirim, para onde se transferiu no mesmo ano. O que poderia ter sido apenas mais uma transferência foi, na realidade, o divisor de águas na carreira do meia-atacante.

No interior de São Paulo Válber conheceu o técnico Vadão e seu esquema 3-5-2, na época mais exótico que cartola competente. Com Válber vieram Rivaldo e Leto. Foram esses os ingredientes chave na montagem do Carrossel Caipira, como ficou conhecido o time do Sapão. No Paulista de 92 o Mogi incomodou muito os grandes, mas em termos práticos morreu na praia e não conseguiu reviver a façanha do Bragantino de Luxemburgo dois anos antes. Obteve, no entanto, o título da Copa 90 anos da Federação Paulista de Futebol e do Grupo Amarelo do Campeonato Paulista. Válber sagrou-se artilheiro do Paulistão com 17 gols. Nascia o craque.

Sem pestanejar, o Corinthians fez questão de comprar o passe de Válber, em badalada transação. Sem a mesma convicção, o clube trouxe Rivaldo e Leto por empréstimo. Em novembro de 93, Válber teve sua primeira e última aparição pela Seleção, em amistoso contra a Alemanha que serviu para Parreira testar alguns jogadores. Aos 21 anos, vivia o ápice da carreira.

Rivaldo passou então a eclipsar Válber, que aparentemente sentiu o peso das expectativas, possivelmente desmedidas, que lhe pesavam sobre as costas. Foi então que a carreira dos dois companheiros tomou rumos distintos. Rivaldo disputaria duas copas e seria campeão do mundo, ao passo que Válber estaria fadado à tradicional vida cigana levada pelos craques que nunca foram.

Seguindo o script da contratação que não vingou, Válber transferiu-se para o Yokohama Flugels em 94. No ano seguinte, retornou ao Brasil para defender o Palmeiras, onde atuou justamente na entressafra de títulos de 95 sob o comando de Otacílio Gonçalves. Sem espaço após a reformulação que resultaria na máquina alviverde do ano seguinte, o jogador foi defender o Inter-RS. Seis meses depois, desembarcava em São Januário.

No Vasco, ao lado de Juninho, Válber teve um início empolgante, com direito a gol na estreia. No entanto, a fase do time não ajudou e, depois de 15 gols em 48 jogos, o meia deixou o clube cruzmaltino. Novamente, deixava um grupo que seria campeão no ano seguinte. Frustrado, voltou a cair na estrada.

Além de mais duas passagens pelo Japão (97 e 99), positivas do ponto de vista financeiro, o jogador vestiu as camisas de Goiás, Ituano, Ponte Preta e Atlético Paranaense (2000-01, adivinhou quem disse que ele não fez parte do grupo campeão brasileiro). Em um clichê desse tipo de jogador, voltou para o Mogi Mirim no período 2001-2003 em busca das glórias do passado, de onde rumou, possivelmente com o mesmo intuito, para o Santa Cruz, até retornar em 2004 para o Sapão, onde encerrou precocemente a carreira aos 33 anos.

Após pendurar as chuteiras, Válber mudou-se com a esposa e as duas filhas para Brasília e decidiu investir as economias dos tempos de jogador no mercado imobiliário. Em outro movimento natural, como confirma o caso atual de Carlos Alberto Parreira, Válber não suportou a distância do futebol e decidiu abrir uma consultoria esportiva ligada ao Mogi, a VSC. Hoje o ex-jogador caça talentos Brasil afora e administra a carreira dos craques do futuro. Nesta atividade, participou da transferência de Edson Ramos do Sapão para o AEK da Grécia. Ele aposta ainda nos jovens Aílton e Gil.

Superestimado no início da carreira e com uma certa dose de azar, Válber faz companhia a uma série de quase-craques do passado e do presente. Mesmo assim, deixou seu nome na história do Paulistão.

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