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Futebol

02/01 - 21:00

Crise financeira deixa clubes em estado de alerta
Falta de créditos que já assola o velho continente provoca antecipações de verbas dos clubes no Brasil; a questão não é saber se o futebol será impactado e sim qual a intensidade

Léo Morelli, repórter iG Esporte

SÃO PAULO - O orçamento dos principais clubes brasileiros depende, basicamente, de três aspectos: transferência de jogadores, direitos de transmissões pela TV e cotas de patrocínio, sendo essa última o principal alvo da crise financeira mundial, já que grandes empresas reduziram drasticamente as suas receitas. Corinthians, São Paulo, Cruzeiro, Guarani, Ponte Preta, entre outros clubes, ainda não definiram os seus patrocinadores para a temporada 2009.

A crise parece preocupar cada dia mais o presidente eleito do Cruzeiro, Zezé Perrella, que destaca a importância das vendas de jogadores para contrabalançar as despesas e permitir novos investimentos.

“O Cruzeiro vai precisar vender pelo menos dois jogadores para fechar o orçamento de 2009 sem atropelos. O ano passado foi de dificuldade para todo mundo. Pela primeira vez, usamos créditos, ou seja, transportamos receitas do próximo ano para poder assumir compromisso. Com a crise internacional, eu prevejo um ano de dificuldades”, analisa o dirigente, que ainda não renovou o contrato de patrocínio com a empresa Tenda.

Porém, na contramão da crise, o Cruzeiro acertou na última quarta-feira parceria com um novo fornecedor de material esportivo: a inglesa Reebok substituirá a alemã Puma para o que será, segundo o clube, "o melhor contrato de sua história", embora os valores não tenham sido anunciados.

"Nós estávamos muito satisfeitos com a Puma, que foi uma empresa que nos atendeu muito bem durante esses anos e sempre nos forneceu um material de altíssima qualidade. Mas esse contrato com a Reebok é o melhor da história do Cruzeiro, tanto em questão financeira quanto de material", disse o diretor de marketing do clube, Antônio Claret.

Já o rival Atlético-MG, apesar das cifras girarem em torno de R$ 6 milhões, sonha em ter um reajuste no seu acordo com a Fiat. De acordo com a fabricante de automóveis, patrocinadora oficial de times como o Palmeiras, Bahia, Vitória, Ceará, Fortaleza, Atlético-MG, Cruzeiro, Ipatinga e América-MG, a crise financeira deve reduzir a quantidade de investimentos no futebol.

“A crise aperta, mas ela não é tão evidente como nos EUA e na Europa. Temos outras prioridades, como o aumento da produção e o desenvolvimento de novos produtos. Então, a verba de marketing institucional será revista. Certamente a Fiat não vai continuar em todos esses clubes, há uma tendência de fazer investimentos apenas em clubes da primeira divisão”, afirma Marco Antônio Lage, diretor de comunicação corporativa da Fiat.

De acordo com Lage, não se trata de uma atitude drástica e nem de reflexos da crise financeira, e, sim, da “equação” e direcionamento da exposição da marca. “A partir do momento que você assina o contrato, você não tem mais nenhuma flexibilidade com clube. Então, faremos uma equação. Você pode deixar de patrocinar um time na manga, mas vai para o peito do outro, expandindo a visibilidade da marca”, completa o executivo.

Também por conta da crise financeira, o Flamengo antecipou junto a TV Globo R$ 5 milhões das cotas de transmissão do Campeonato Brasileiro de 2009. Segundo o vice-presidente de finanças do clube, José Carlos Dias, a falta de crédito nos bancos foi determinante para essa situação.

“Ficamos sem o adiantamento da Globo, que, com a crise, anunciou a suspensão das antecipações das cotas em julho. A crise é muito grave, está se refletindo em clubes de todo mundo, até em Marte”, afirma o bem-humorado Dias. O dinheiro da transmissão seria a primeira alternativa, segundo o Flamengo, para pagar folha salarial de R$ 5,9 milhões no final do ano, já que o crédito no Bic Banco secou com a crise internacional.

Já o São Paulo, que conquistou o sexto Campeonato Brasileiro de sua história, não consegue driblar os problemas recentes com a crise internacional. O contrato com a LG, de R$ 16 milhões, venceu em dezembro. “Fizemos uma proposta mais alta do que a empresa diz que poderá oferecer. A crise pode nos prejudicar no andamento das conversas”, destacou Júlio Casares, vice-presidente de Comunicação e Marketing do São Paulo.

Em êxtase com a contratação de Ronaldo, o Corinthians vive uma situação semelhante a do rival São Paulo, já que a Medial Saúde (maior contrato de patrocínio do Brasil R$ 16,5 milhões anuais) não irá estampar a camisa do clube em 2009. E devido à contratação do Fenômeno, o valor no espaço da camisa do Alvinegro deve inflacionar o mercado. Especula-se que Bradesco, Itaú e Emirates Airlines estão na disputa para desembolsar cerca de R$ 30 milhões por ano.

“Estamos negociando, claro que a crise financeira atrapalha um pouco, mas a chegada do Ronaldo e de outros reforços deve atrair as empresas a investirem no Corinthians. O valor será ainda maior”, prevê Luís Paulo Rosenberg, diretor de marketing do clube paulista.


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Vipcomm/Divulgação

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