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Futebol

02/01 - 20:46

Cores alusivas ao rival geram atritos nos clubes
Logomarca da empresa que pretende investir no clube, às vezes, tem que ser alterada para evitar retaliação da torcida rival

Léo Morelli, repórter iG Esporte

SÃO PAULO – Você acha que um torcedor corintiano aceitaria comprar uma camisa com a marca do patrocinador na cor verde? É apenas um exemplo, mas empresários ainda sofrem com a rivalidade futebolística quando visam investir no futebol brasileiro. Empresas e clubes entram em atritos e, algumas vezes, o contrato é rescindido pela falta do acordo.

“Aqui é uma questão de alimentação da rivalidade de forma sadia. Entre os nossos atletas não permitimos que eles usem qualquer peça vermelha (cor do rival Fortaleza) no dia-a-dia dentro do clube, é uma determinação que prevê até multa”, afirma Paulo Veras, diretor de marketing do Ceará.

“No nosso caso não permitimos a cor vermelha no uniforme do Ceará, inclusive, tivemos um desgaste com a Wilson, ex-fornecedora de material esportivo, por esse motivo. Eles não cederam e nós não aceitamos”, completa Veras.

E a questão abrange o “país do futebol” de norte a sul nos mínimos detalhes para os torcedores. De acordo com Jorge Avancini, vice-presidente de marketing do Internacional, a rivalidade Grenal influencia até no refrigerante que o torcedor vai comprar no estádio.

“O problema com as cores é recorrente. Eu fechei um contrato com a AmBev, por exemplo. Eles vão entrar com os produtos nas dependências do estádio Beira-Rio. E a marca da Pepsi é azul (cor do Grêmio), então foi necessário fazer o pedido de troca e eles mudaram para preto”, explica Avancini. “A Coca-Cola é mesma coisa no Grêmio. A marca mundialmente é vermelha, mas colocam em preto, pela primeira vez na história, na década de 70”, completa o Colorado.

Em Minas Gerais, o Atlético-MG já foi obrigado a pedir alteração da cor da logomarca estampada nos uniformes em duas oportunidades. “Cores dos patrocinadores sempre deram dor de cabeça. Temos restrições das cores azul e branca, que são do Cruzeiro. Telemar e Fiat já mudaram as cores do logo para poderem estampar a camisa do Galo”, revela Alvaro Costa, diretor de marketing do Atlético-MG.

“Debatemos sem nenhum problema. Queremos uma boa visualização da marca. Quanto a cores, tudo isso pode ser modificado para atender da melhor maneira possível o cliente”, afirma Marco Antônio Lage, diretor de comunicação corporativa da Fiat.

Exemplo clássico
Apesar da padronização de suas lojas em alguns locais do mundo, os restaurantes da rede MCDonals’s tiveram que se adequar à cultura e tradição regional de Istambul, na Turquia. O Galatasaray e o Besiktas são os principais e mais populares times de futebol da capital. O Galatasaray tem as cores vermelha e amarela (mesmas cores da marca MCDonald’s) como símbolo. Já o Besiktas, preto e branco.

Quando o MCDonald’s inaugurou uma filial ao lado do estádio do Besiktas, houve fortes protestos por parte dos torcedores do clube, que não queriam um restaurante com as mesmas cores do seu maior rival. Adivinha qual foi a solução? Não construir, certo? Errado. O “M” gigante e todo o resto do restaurante estão nas cores branco e preto.


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