Vitor Guedes

Soberba da direção e de parte da torcida não pode afetar Flamengo

A arrogância da gestão BAP (uma Rodolfo Landim ainda mais arrogante), da mídia uniformizada rubro-negra e de setores da massa não devem contagiar time

Flamengo vence o Bahia no Maracanã; se repetir o triunfo, neste domingo (18), na Fonte Nova, Fla dá um grande passo para conquistar o Campeonato Brasileiro
Foto: Reprodução/Gilvan de Souza/Flamengo
Flamengo vence o Bahia no Maracanã; se repetir o triunfo, neste domingo (18), na Fonte Nova, Fla dá um grande passo para conquistar o Campeonato Brasileiro

Com a vitória de 2 a 0 do Palmeiras sobre o Athletico-PR na Arena da Baixada, o Flamengo efrenta o Bahia neste domingo (18), na Fonte Nova, na condição de vice-líder do Campeonato Brasileiro. Para retomar a liderança, o Mengo precisa de uma vitória.

E, na Libertadores, está a uma vitória simples, no Maracanã, sobre o Estudiantes La Plata (ou de um empate, desde que seguido por triunfo nos pênaltis) para avançar à final.

O hino do Botafogo diz (ainda que Seedorf, hoje treinador corinthiano, tenha tentado mudar em sua passagem como jogador do clube) “não pode perder, perder pra ninguém”. É uma licença poética. O Botafogo de Garrincha perdia!

O Santos de Pelé, o Real Madrid de Di Stéfano, o Brasil de Falcão, Cerezo, Sócrates e Zico perderam. E o Flamengo, inclusive o de 2019, eliminado na Copa do Brasil pelo Athletico-PR, perde... Como perdeu o Flamengo de Zico. E como o Flamengo perdeu já este ano, em campo e na arquibancada, para o Corinthians na Supercopa do Brasil. E ainda teve gol legal do Corinthians anulado por alegada falta de funcionamento do VAR... Viva a memória!

O Flamengo tem o maior e mais caro elenco do continente, o que reflete no melhor time (superior ao do Palmeiras, de quem foi surrado, no Maracanã, no primeiro turno do Brasileiro) sul-americano, mas não é um time que vai vencer todas. E mais: não tem obrigação de vencer todas.

Se tem algo que detesto e, pois, não sou é ombudsman de torcedor. Como torcedor do meu clube, ignoro completamente quem venha me dizer o que eu posso ou não comemorar, gente querendo dizer que é bobagem não usar verde, que 1 a 0 é pouco e que trata, de forma arrogante e idiota, conquistas históricas como “diploma”. Há os mais patéticos que querem definir o que tem e o que não tem importância para o clube, como se eles tivessem lugar de fala! Tenho desprezo profundo por essa gente.

Sendo assim, o flamenguista tem o direito de aplaudir, aprovar, vaiar ou gongar o que bem entender em relação ao seu time. Se a massa acha que empatar 0 a 0, fora de casa, na Argentina, para o Estudiantes La Plata, é ruim, uma vergonha, que reclame. Que exija mais.

Agora, o elenco não pode cair no discurso da sua direção que acredita no terraflanismo e que tudo gira em torno da direção do clube. A derrota justa para o Vasco, na absurda tentativa de impedir o rival de jogar a semifinal sul-americana contra o Boca Juniors em casa, atesta que o futebol existe para além do Flamengo e que o clube não tem o poder de mandar no mundo da bola...

E, no mundo da bola, existe o Estudiantes. Existe o futebol argentino. E o Estudiantes, que não tem na Argentina o tamanho que o Flamengo tem no Brasil, merece ser respeitado. O time de La Plata é TETRA da Libertadores. Repito. TETRACAMPEÃO da Libertadores. A última conquista, em 2009, foi em cima do favorito Cruzeiro após empatar 0 a 0 em casa e, na volta, vencer no Mineirão por 2 a 1.

Antes da volta da Libertadores, em que o elenco não deve cair na tentação de achar que se não massacrar a classificação não vale, tem o Brasileiro... Tem o Bahia descansado, motivado e lutando por vaga à Libertadores. Rogério Ceni, que é freguesaço do Flamengo à parte, o Bahia não é uma teta. 

Arrogância e soberba atrapalham menos na volta olímpica, com a faixa já colocada. Antes, uma pitada de humildade e pragmatismo, por parte da comissão técnica e elenco, pode ajudar...

O título continental do Flamengo de 2025, justo, foi conquistado em um magro 1 a 0, com um gol de cabeça de um zagueiro aproveitando uma bola parada... E vale!

Resumindo: se quiser triunfar no Brasileiro e na Libertadores, uma pitada de pragmatismo pode ser muito útil.

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Vitão Raiz

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