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Os Rams têm um dos melhores running backs da NFL? Sim. Mas isso nada adianta se a defesa coloca 8 jogadores indo para cima em toda jogada

Derrota do Los Angeles Rams evidencia importância do jogo aéreo na NFL do século XXI
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Derrota do Los Angeles Rams evidencia importância do jogo aéreo na NFL do século XXI

Foi ruim, foi horrível. Que fique claro: não é o esporte que é ruim - o futebol americano tem partidas ruins como qualquer outro esporte coletivo. Algumas engrenagens podem não funcionar e ocorrer o gigantesco azar das poucas engrenagens que funcionam serem emperradas pelo oponente.

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O Los Angeles Rams, uma das equipes mais tradicionais do futebol americano , estavam em sua temporada de “volta para casa”. A equipe foi criada em Cleveland nos anos 1930, mudou-se para Los Angeles na década seguinte e em 1995 havia novamente se mudado para St. Louis. A estreia como “novo-velho” Los Angeles Rams estava marcada para a segunda-feira num horário ingrato mesmo para a costa leste dos EUA, 22:30. Foi ingrata e era nada o que o torcedor que esperou após 20 anos para rever seu time na Costa Oeste.

Teria sido melhor se ninguém tivesse visto. Como brinquei no twitter, pelo Código de Defesa do Consumidor ainda há tempo de Los Angeles “devolver’ a franquia para St. Louis. Aliás, vale lembrar como nota a quem está começando a acompanhar a NFL que embora aqui no Brasil o fenômeno da “realocação” seja praticamente inexistente - talvez um dos poucos casos conhecidos seja do “Grêmio Prudente-Grêmio Barueri” - nos Estados Unidos ele acontece mais porque os times são “empresas” com “dono” - ao contrário dos clubes no Brasil, os quais são em sua maioria, associações civis.

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Bom, feita toda essa contextualização, vamos tentar explicar a catástrofe que aconteceu no campo de futebol americano propriamente dito e não nos escritórios do time nessa derrota por 28 a 0. Os Rams não têm um quarterback. E isso, em 2016, é absurdamente grave para um time que quer se propor a ir para a pós-temporada. Considerando que Case Keenum, o quarterback dos Rams ontem, não tinha a menor capacidade de acertar um passe para mais de 15 jardas, a questão tática fez sentido (negativo).

Em resumo, o San Francisco 49ers lotou o primeiro e o segundo setor da defesa – deixando apenas um “último homem” como safety la atrás. Afinal, Keenum seria inepto para explorar essa falta de marcadores em profundidade - com certa ironia, a “natureza marca”. Para ser justo, Keenum teve um passe completo para mais de 15 jardas. E três para mais de 10 jardas. Todos os outros 34 passes ou foram incompletos ou interceptados ou para menos de 10 jardas.

É virtualmente impossível vencer um jogo com tamanha ineficiência no jogo aéreo

Os Rams têm em Todd Gurley um dos melhores running backs da NFL? Sim. Mas isso nada adianta se a defesa adversária coloca 8 jogadores indo para cima de Gurley em toda jogada. Não por acaso os 49ers dominaram as corridas dos Rams pelo meio da linha ofensiva. Havia “recursos defensivos” - isto é, jogadores - de sobra para tanto (afinal, o passe estava longe de ser uma preocupação). Foram 12 tentativas de corrida de Los Angeles pelo meio de sua linha ofensiva -elas geraram apenas 33 jardas. E, aí, quando a terceira descida era longa, Keenum foi impreciso.

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Ainda existem times que se apoiam num jogo terrestre talentoso para ir rumo à pós-temporada. Notoriamente, Tennessee, Los Angeles e Minnesota. Mas sem um quarterback minimamente capaz de mover as correntes quando necessário, a defesa vai lotar o “box”, e um efeito dominó opera-se. Sem o passe, não há corrida. E a gente (infelizmente) viu isso acontecendo ontem.

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