Provável que tenha gol no Maracanã. Provável que seja o gol mais estranho da história do nosso futebol. Gol sem alegria, representatividade, vibração. Gol forçado, mas não forçado pela insistência do atacante contra a retranca do adversário. Forçado – na marra – por dois times tradicionais. Que têm pressa. Pressa do que?

gabigol
Lucas Tavares/Zimel Press/Agencia O Globo
Campeonato Carioca volta hoje


Pode até ter gol, mas não vai ter torcida. Não vai ter grito. Berro de desabafo. Voz na arquibancada. O silêncio ensurdecedor será a trilha sonora de um desespero inexplicável. Da corrida contra o tempo, contra a saúde, contra a ciência. Contra o bom senso.

Eles têm pressa. O Flamengo – que ganhou tudo no ano passado – troca o respeito pela pressa. Uma diretoria que não soube lidar com as mortes dos meninos no Ninho. Não respeitou as famílias como deveria, não toca mais no assunto, leva o caso até o último acréscimo. Parece que esqueceu. Assim como esqueceu as vítimas da covid-19. Vítimas em atualização. Quer a bola rolando enquanto a vida não anda.

Provável que tenha gol no Maracanã. Talvez até golaço. Chute de fora da área ou sequência de dribles. Gol de cobertura. Olímpico. Gol de falta. Pode ter goleada no Carioca. Gol parecido com o do Maradona na Copa. Ou com tantos outros. Pode ser o gol que for: não terá beleza. Encanto. Brilho.

Assim será qualquer gol que sair nesta quinta-feira: apagado, sem sal, silencioso. Borrado com o tempo. A pressa – sim - será lembrada. A pressa será destacada para os filhos, os netos, os sobrinhos. O título: quando Flamengo e Vasco tiveram pressa.

O jogo nem começou no Maracanã, mas o gol de desempate é contra a honra. O silêncio explica o óbvio. O choro é mais barulhento do que qualquer grito de gol.

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