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Bandeira com as cores da causa LGBT no Beira-Rio

O futebol não fica mais chato sem os gritos de "bicha" depois de cada tiro de meta. O futebol não fica mais chato se algum jogador do seu time usar a camisa 24. O futebol não acaba se homofobia for crime. O futebol não morre se houver respeito com o próximo. A bola não deixa de rolar. O gol não para de sair. O drible, a arte e o improviso não são construídos com gritos, xingamentos e socos. Se você acha isso, meu caro, lamento te dizer: você não gosta de futebol; você gosta de ser ignorante. Futebol raiz se faz com os pés. Não com a boca.

A paixão pelo futebol não reduz sem racismo, machismo, homofobia e outros tipos de preconceito. O título do seu time vai valer a mesma coisa. A arquibancada terá o mesmo brilho. Seu filho e sua família continuarão acompanhando o noticiário, os jogos, os clássicos. Você não precisa ser gay para defender os gays. Eu não sou. E daí? Você não precisa ser mulher, negro(a) ou homossexual para batalhar por igualdade. Seu berro no estádio certamente machuca mais algum vizinho do que o craque adversário. Seu surto no campo de jogo corta a carne de quem entoa o mesmo canto que o seu.

Isso não altera o placar. Muda a opinião do mundo sobre você.

Lamento informar, mas você não é melhor do que o outro. Pode ser pior.

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Reprodução/ Premier League
Ação da Premier League em apoio ao público LGBT

Aqui outra verdade: elas podem entender mais do que os homens sobre futebol. Conhecimento não se mede por gênero.

O futebol não perde com o espaço maior das mulheres. O futebol masculino não será sacrificado se houver investimento no feminino. Você não tem direito de cobrar novas Martas. Você - da piadinha "inédita" da regra do impedimento - não tem moral para apontar o dedo, desmotivar ou tentar diminuir gente que sonha. Que ama o mesmo esporte, que assiste os mesmos jogos, que quer pisar no mesmo gramado que os homens. 
As chuteiras delas carregam preconceito, falta de apoio e indiferença. O peso disso é incalculável.

Elas carregam a invisibilidade nos pés.

A camisa 24 não é mais perigosa do que o Messi ou o Cristiano Ronaldo. Não tenha medo. Ninguém é obrigado a vestir. Não é o fim do mundo se alguém do seu time usar. Você está inseguro com isso? Faça terapia.

Você não tem o direito de definir quem é O ou quem é A.

Grite mais o nome do seu time do que a orientação sexual de quem está ao seu lado.

Futebol raiz é bola na rede, respeito ao próximo e preconceituoso na grade. 

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