Fábio Carille
Ide Gomes / FramePhoto / Agência O Globo
Fábio Carille deixou o Corinthians após derrota por 4x1 para o Flamengo

O retranqueiro é, sobretudo, um preguiçoso. Tem preguiça de colocar seu time para jogar futebol. Atacar é muito mais complicado do que desarmar. Construir é mais trabalhoso do que destruir. Bater não precisa de técnica, habilidade, categoria. Paralisar uma investida do adversário é questão numérica, de força, de posicionamento simples. Atacar, não.

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Atacar requer muito treino. E principalmente: liberdade. Liberdade para não prender os pés no gramado, como soldados na guerra. Liberdade para estimular o drible, o passe, o dom. O retranqueiro faz questão de fechar seu time se por milagre fizer um gol. Um a zero – para o covarde – é goleada. E nesta toada o futebol brasileiro foi montado por muito tempo.

O maior mérito do português Jorge Jesus é não se contentar. Não ficar satisfeito com o placar curto. Não ficar satisfeito com pouco. Se tiver um gol, tenta o segundo. O terceiro. O quarto. O chocolate, a humilhação, a goleada. O Corinthians passou vergonha no Maracanã. Assim como o Grêmio. Os dois foram engolidos, triturados, mastigados pelo Flamengo. O Flamengo caminha para ganhar tudo.

Fábio Carille deitou na rede confortável do seu esquema defensivo e esticou as pernas. Não quis nem tentar agredir o oponente. Não pensou em nenhum momento em buscar uma migalha de bom futebol. O Corinthians de 2019 poderia ser um bom remédio para o sono. É tiro e queda: assistir e dormir. E, como jornalista, tive de ver a maioria dos jogos. Mas não recomendo. É uma tortura, uma preguiça, um desgosto. Carille fez mal ao jogo. Agrediu o jogo. Puniu a bola. O elenco alvinegro poderia muito mais. Muito mais.

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Torcedor, tenha paciência com o novo treinador do Corinthians. Ele precisará – primeiro – mostrar ao elenco que dá para jogar futebol. Que não é proibido fintar. Que não é proibido tentar o gol. Que não é pecado fazer dois em um jogo só. O futuro técnico corintiano terá de retirar da cabeça dos jogadores esquema tão covarde e preguiçoso de jogo. Convencer a não ter nojo da bola. Não ter asco dela.

Alguns idiotas dizem que esse é o DNA do Corinthians. Certamente eles nunca ouviram falar em Sócrates, Luizinho, Rivellino. Nunca viram Marcelinho chutar. Edílson driblar. Luizão finalizar. Rincón – Rincón! – marcar. O Corinthians tem tudo para voltar a praticar um esporte chamado futebol. Faz muito tempo que não joga. Nem deve se lembrar direito como funciona.

O Corinthians é maior do que o chutão do zagueiro para o atacante.

O retranqueiro fincou o pé no medíocre. Voar é a razão de ser do Corinthians.

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