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Na crônica, Guilherme Cimatti compara o café, a mentalidade defensiva do futebol brasileiro e o governo atual. Todos têm algo em comum: a azia

Estou em uma padaria. Sei que devo escrever sobre esportes e vamos tratar sobre o assunto, mas antes gostaria de dividir uma coisa com vocês. Estou triste, magoado, chateado e todos os outros adjetivos do mundo. Me proibiram de tomar café por conta do refluxo.

O café cai como uma bomba atômica no estômago e volta, entre uma onda e outra, num gosto azedo na boca. Cerveja, então, também não pude nos últimos dias. Tentei alguns chopes por duas semanas, mas não deu muito certo. 

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Uso o café para acordar. É instantâneo o efeito. Parei de fumar cigarro tomando café. Desde então ele se tornou uma espécie de fiel escudeiro, de Robin, de melhor amigo. “Quero fumar”, dizia meu inconsciente, o Tico. “Vou ali pegar um café”, já respondia o Teco. E assim troquei um vício por outro. A cerveja, agora, está liberada. E é ela quem me ilude, muitas vezes.

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Estou iludido que será um ótimo caminho para os brasileiros na Libertadores. O Palmeiras , numa ressaca lascada, ainda não conseguiu ser o que todos esperam. Tem jogadores, dinheiro, técnico e torcida. Mas voltou pior da Copa América. No Brasileiro , o Santos passou de mero espectador e assumiu a liderança da competição. Sem o mesmo time e a mesma estrutura do alviverde. Os créditos são de Jorge Sampaoli: o corajoso.

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O jogo brasileiro anda covarde demais. Equipes defensivas têm medo de atacar. A maioria dos times é medrosa. Culpa dos treinadores, dos mais novos aos mais velhos. Um ou outro ousa tentar o gol. O pânico de fazer o segundo é evidente nos semblantes covardes dos comandantes. Comandante covarde não tem futuro, diz a história. Líder tem audácia e coragem como características obrigatórias.

Não é o caso do governo brasileiro . Cercear a livre reportagem e coibir o bom jornalismo é uma forma de escancarar seu medo. As ameaças contra Glenn Greenwald e as frases exaltando a criminosa ditadura brasileira me causam ânsia. E preguiça intelectual de tentar explicar o óbvio. Bolsonaro fala bobagens todos os dias. São afirmações homofóbicas, falsas e extremante preconceituosas. Normalizar tudo isso é criminoso. A debandada é pior do que a do Rei Leão. A manada está na direção do precipício. 

E o café é o menor dos problemas. Quero sem açúcar, por favor. Vida longa ao pobre país do futebol.

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