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Retranqueiro Corinthians consegue segurar o agradável Santos e avançou. Felipão, por outro lado, adota a mesma estratégia e está fora

goleiro Cassio abre os braços
Timão Web
Cassio mais uma vez brilhou com a camisa do Corinthians

Você, corintiano, já deve estar me xingando. Eu aceito. O forte Corinthians avançou para a final do Campeonato Paulista com o seu DNA, desde que Mano Menezes assumiu a equipe, em 2008. Linhas de quatro, marcadores implacáveis e bolas espirradas para o centroavante.

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O Peixe foi muito melhor que o Corinthians no Pacaembu. Tem menos qualidade e, mesmo assim, agrediu o adversário com ofensividade, que não está na moda no fraco futebol brasileiro. Aqui se retranca, apenas. São grupos mais preocupados em não tomar gols do que tentar fazer. A Seleção paga o pato. E caro. 

Jorge Sampaoli faz bem para o país. Não é covarde. Passa longe de ser, aliás. Tem destaque em meio a tanto medo. Fábio Carille e Felipão têm medo de jogar. Têm medo de buscar o resultado, de tentar a rede adversária, de provocar o sorriso e não o desespero. Scolari foi punido, mesmo tendo mais elenco e mais dinheiro do que o São Paulo. Coloca a culpa no tribunal, no árbitro, da federação.

Mas precisa assumir o péssimo trabalho em 2019. Está devendo muito. Aliás: onde estava o valentão Felipe Melo na hora dos pênaltis? E Dudu? Pediram para bater?

Carille não gosta, mas precisa ter humildade para reconhecer que Sampaoli é inovador. Aqui no Brasil, sim, é inovador. O país do futebol criou tradição por atuar de forma agradável. Isso já faz muito tempo. O atual é formado por sobras de jogadores que por enquanto estão aqui e com mentalidade resultadista. Sonolento demais. É assim – pelo menos – desde que Muricy ganhava campeonatos com Jorge Wagner cruzando pra área. Gol da Alemanha. 

O futebol brasileiro virou cópia. Se alguém ganhar com ligação direta e chutões por todo campo, todos copiam. E copiam perfeitamente. Como se o jogo tivesse uma fórmula mágica, como se só existisse uma forma de ganhar: se fechando com onze no sistema defensivo, com o goleiro dando bicão e com a torcida sofrendo. Há quem goste e admire. Eu não estou no meio. Muito pelo contrário. Sampaoli precisa ser reverenciado. Carille e Felipão precisam sofrer resistência. Resistência é uma palavra que cabe bem para muitas coisas que acontecem aqui.

O jogo, no entanto, ganha com a garotada do São Paulo . Antony é muito bom jogador. Dribla. E driblar é quase que um pecado. Tudo indica que o Tricolor pode se reinventar em campo. Será a final da juventude contra a já velha mania de se retrancar por um gol. Torço pela molecada e pela evolução do futebol brasileiro.

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