Sem surpresas na semifinal do Campeonato Paulista. O regulamento confuso foi criado para ter esse enredo: os quatro grandes classificados. Palmeiras e São Paulo se enfrentam. O Verdão tem a melhor campanha da competição. Santos e Corinthians medem forças. O equilíbrio maior é no segundo jogo. Mas clássico é clássico e vice-versa, como inventou um dia meu amigo Rafael Palmeira. Tudo pode acontecer no futebol. Inclusive nada. Quase nada tem acontecido nos gramados brasileiros . Dribles, passes de efeito e sorrisos estão em falta no mercado.

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O Palmeiras é o que mais gastou. Perdeu a última disputa justamente para o próximo adversário no estadual, o São Paulo, que ficou com Pato. Mas ainda não terá o atacante. O Tricolor não se encontrou na temporada. Foi eliminado precocemente da Libertadores e ainda tenta enxergar diante da neblina. Vágner Mancini está quebrando o galho. O time deve melhorar seu futebol com Cuca.

Mas Cuca precisa de tempo. Imediatismo é sinônimo de bola. As derrotas e empates estragam rapidamente a confiança. Corroem e engolem a confiança da torcida. A diretoria é ruim e o elenco é mediano. Já o alviverde joga por um gol e depois se fecha. A goleada de terça foi algo incomum, esquisito e inusitado. Falta coragem aos escudos nacionais. Falta mais agressividade. Não exatamente a agressividade de Felipe Melo, que bate em adversário sem bola, com socos e pontapés. Agredir com arte faz a beleza do jogo. Será – de toda forma – um grande duelo. A rivalidade ficou mais acirrada desde que Carlos Miguel Aidar – o pior presidente da história do São Paulo – cutucou Paulo Nobre, antigo dirigente palmeirense.

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O Santos tem a forma de jogar mais corajosa entre os quatro. Sampaoli não é covarde . Busca sempre o próximo gol. Sabe que isso pode custar caro. Vai para cima, porém. O elenco alvinegro praiano é o pior entre os semifinalistas. A qualidade técnica é minimizada pela valentia. Já Carille é exatamente o oposto. Prefere a defesa do que o ataque. Dizem que é a forma mais fácil de ganhar. Sofre, sofre, sofre. E passa. Tem mais talento do que o Santos, apesar de nem sempre querer usar. Duas escolas completamente diferentes.

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Torço para Jorge Sampaoli e Fernando Diniz. Quero que eles vençam algo importante. No Brasil é comum seguir quem ganha. De dez anos para cá, com raras exceções, equipes defensivas estão levantando troféus. Até porque quase todas são defensivas. Se alguém conseguir um título importante atuando sem chuteiras, todos os outros copiarão a fórmula idiota. Ou colocando jogadores de 90 anos, tomando injeção na testa antes das partidas. Os técnicos brasileiros acham que futebol é receita de bolo. Que só existe um jeito de ganhar . E infelizmente o jeito que inventaram é se retrancando.  

O futebol – apesar de tudo – é brilhante. E segue emocionando mesmo após o falecimento de Rafael Henzel. Seu grito de gol continua vivo.

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