Quem me acompanha aqui sabe do meu desgosto pelo tipo de futebol que se faz no Brasil. De poucas chances, sem emoção, covarde até. São linhas de quatro e pouco espaço. Assim como qualidade em falta. Não há drible, bons passes, chutes diferentes. Nem gols de falta, aliás. Prefiro tomar injeção na testa do que ver o jogo entre Mirassol e Palmeiras, o Palmeiras sendo o melhor time do Brasil. Essa culpa quem leva é o treinador. Dois são diferentes: Jorge Sampaoli e Fernando Diniz .

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Fábio Carille é um que fecha o time para não tomar gols, sua grande prioridade. Com bom lateral - Arana - e um bom centroavante - Jô - conseguiu o título Brasileiro de 2017. Fora, evidentemente, bons jogadores, como Cássio, Fagner e Jadson. Era um grupo equilibrado, mas um saco de ver. Dentro desse cenário, Sampaoli faz, sim, algo inovador. Propõe intensidade e ofensividade como vertente e ideologia no jogo . Chegou a ser goleado pelo Ituano e nem por isso se acovardou. O clássico de domingo tinha tudo para ter uma cara bem definida: o Santos atacando, o Corinthians se segurando.

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Mas não foi assim. O Corinthians fez um grande primeiro tempo e levou vários sustos ao sistema defensivo do Peixe. Criou bastante com Fagner e Pedrinho. O Santos chegou poucas vezes. Na segunda etapa, Sampaoli mexeu bem colocando em campo Rodrygo e Cueva no lugar de dois meio-campistas. Deu resultado e o alvinegro da Vila teve outro espírito. Ganhou quem acompanhou até o final.

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Há quem olhe apenas o resultado e se entristeça com o magro zero a zero. O placar teve a cara do morno jogo que se pratica no Brasil. Se a qualidade da nossa bola tivesse um rosto, ela teria cara de zero a zero. Chega a ser, no entanto, um pecado persistir esse número em Itaquera. Um assalto contra a obstinação e mudança de postura. O bom confronto é aquele que é escrito como um filme: cheio de mudanças, de enredos, de emoções diversas. Zero a zero não é o título ideal. Nem um final feliz.

Que Carille, Felipão e outros percebam o crime que cometem quando buscam mais defender do que atacar no jogo . Quando têm mais medo do que coragem. Eles descaracterizaram o futebol brasileiro, O futebol brasileiro se parece mais com o argentino Sampaoli do que com qualquer outro. O futebol brasileiro de hoje fala em espanhol. E só em espanhol. Está quase mudo.

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