Tamanho do texto

O treinador argentino é a mistura do prato. Difere em meio a falta de ideias e preguiça do diferente

Em primeiro lugar: não perder. Em segundo: não perder. Em terceiro: não tomar gol e, portanto, não perder. Eis as prioridades da esmagadora maioria de treinadores do Brasil. São times covardes em campo e bocejos fora dele. Está ficando chato ver a bola rolar por aqui. Desenhos colorem o painel tático, mas não iluminam os olhos. Desenhos e formas geométricas não convencem. Sampaoli, conhecido por sempre procurar fazer o gol, pode ser algo diferente.

Leia também: O 4-2-3-1, utilizado pelos grandes de SP, não é o único esquema tático do mundo

 Jorge Sampaoli é ponto fora da curva no futebol brasileiro
Ivan Storti/Santos FC
Jorge Sampaoli é ponto fora da curva no futebol brasileiro

Os jovens técnicos ganharam espaço diante da falta de ideia dos experientes. Luxemburgo vem em queda. Felipão inegavelmente caiu de patamar depois dos sete a um e agora está se recuperando. Jair Ventura, Roger Machado, Eduardo Baptista e outros muitos decepcionaram. Sentiram demais. Roger, se nunca priorizou retrancar o grupo como seus concorrentes de profissão, jamais conseguiu dar intensidade de Sampaoli . São segundas ou terceiras opções no mercado. Não gostaria de ter nenhum deles no meu time.

Dos jovens, por enquanto, Fábio Carille é o único que deu certo. Fez time em 2017 e tem nova missão em 2019. É especialista em montar boas defesas e arrancar vitórias em contra-golpes rápidos. É complicado passar pela linha de quatro e pelos volantes de Carille. É bom treinador, mas não gosta de propor o jogo. De buscar mais o gol do que o desarme. Não é, definitivamente. Talvez Renato Gaúcho tenha sido o único - em 2018 - com a arte como objetivo. Com raras exceções, o improviso é pecado no futebol brasileiro.

Leia também: Emerson para, mas fica para sempre na história do Corinthians

Jorge Sampaoli prega a intensidade como principal forma de vencer seus oponentes. Treina em ritmo alucinante, não deixa desistir de qualquer lance, cobra absurdamente seus comandados. Em primeiro lugar: quer fazer o gol. Em segundo lugar: quer fazer o gol. Em terceiro lugar: pensa na hipótese de não sofrer o tento. É inegável que é água no deserto chato de ideias. Há vida, futebol.

Sampaoli pode não dar certo. Treina um time que tem presidente ineficaz. Que marca entrevista e desiste com a crise. Que vê atletas saindo, que assiste outros chegando nos rivais, que lamenta e lamenta e lamenta. Acertou nos dois que trouxe até agora, mas os méritos não são dele. Muito pelo contrário. Seu único acerto foi com Sampaoli.

Leia também: Conmebol sorri com seus filhos campeões e contentes

Futebol - não só o brasileiro - é cruel. Os resultados definem mais do que os dribles e os passes. Pode ser que  Sampaoli  fique dois meses, seis meses ou dois anos. Não importa. As coisas mudam rapidamente, quase que na velocidade do girar da bola. Dá para querer vencer. Não é pecado querer ganhar. Que fique o recado aos recalcados, preguiçosos, retranqueiros e apáticos treinadores do Brasil: vencer é possível. Pensar prioritariamente em não perder é sempre sair espancado. Moralmente, pelo menos.