Tamanho do texto

Guilherme Cimatti fala sobre a final da Libertadores que reuniu os rivais argentinos Boca e River em pleno Santiago Bernabéu, em Madri

Lucas Pratto marcou o gol do River Plate sobre o Boca Juniors na final da Libertadores
Twitter/Reprodução
Lucas Pratto marcou o gol do River Plate sobre o Boca Juniors na final da Libertadores

Mamãe Conmebol está feliz. Deu pra ver. Deu pra ver seu sorriso cheio de dentes amarelos, cáries e tártaros. Seu hálito se fez perceber lá da distante Espanha. Seu hálito diante de seus gritos eufóricos. River, o atual filho preferido, ganhou. Ganhou depois de tantos favorecimento e carinhos. Foi bem cuidado por toda competição.

Mamãe Conmebol está feliz. Com seus cabelos brancos, nariz que cresce a cada mentira. E enverga em cada confusão. Que demorou para definir. Que pensou em passar o pano após a pedrada. Que tem tantos dirigentes presos. Que não tem respeito e nem credibilidade.

Mamãe Conmebol está feliz. Seus dois filhos foram finalistas. O maior e mais velho - veja só - foi prejudicado. O menor e menos vezes campeão foi abraçado. Se acostumou com o bafo, com o cheiro azedo, com expulsões de técnico. Os filhos da mamãe Conmebol já nem são mais cinquentões. São - sei lá - centenários, quiça. Mas são tratados com fraldas e chupetas. Café e leite. E bolacha.

Mamãe Conmebol detesta quem fala português. Surra, ataca, põe de castigo. Grêmio, Cruzeiro, Santos e quem quer que seja. Mamãe Conmebol bate com força em brasileiro. Prefere argentino. Escolheu seus filhos e não abre mão. Faturou com seus filhos em Madrid. Foi um passeio de luxo.

Mamãe Conmebol ama seus filhos. Está orgulhosa. Felizes são os órfãos. Alegres e dignos.

    Leia tudo sobre: Futebol
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.