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O líder Palmeiras apenas empatou com o lanterna Paraná, mas segue com cinco pontos de vantagem. O sorriso e o entusiasmo estão em falta no país

Cuca. Gabigol e outro jogadores não sabem se permanecem na Vila Belmiro em 2019.
Divulgação/ Santos FC
Cuca. Gabigol e outro jogadores não sabem se permanecem na Vila Belmiro em 2019.

A pergunta que fica é a seguinte: quem ainda sorri no futebol brasileiro? Sorri o campeão, o que garante a vaga na Libertadores, o que escapa do rebaixamento. Só. E eles sorriem com o canto da boca. Sorriem pelo alívio. Sorriem porque alcançaram desafios importantes. O Palmeiras vai sorrir no final do ano com a taça, mesmo que esteja encontrando dificuldades. O Corinthians vai sorrir por não ter acontecido o desastre. Os outros saberão se vão sorrir no final da última rodada, depois do último segundo. Mas quem gosta de futebol, convenhamos, tem sorrido pouco por aqui. Acabou o sorriso pela arte. 

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Não sorri quem gosta do drible. De deixar o adversário no chão. Por fintar meia duzia. E por chapelar o zagueiro rival. Não se sorri pelo último passe por trás de dois defensores. Por encontrar o companheiro na cara do gol. Não se grita olé. Estamos quietos vendo a movimentação do mercado de técnicos. Três derrotas e o comandante é demitido . É preciso fechar o time. Ganhar por um a zero. Montar duas linhas de quatro, bem fechadas. E marcar atrás do meio de campo. Ganhar no contra-ataque. É mais simples, mas não provoca sorriso .

Não se sorri com jogadas bem construídas. Com passes ensaiados, movimentações treinadas, dribles que desconstroem. Não se sorri com pedaladas como o distante 2002. Não se mantém o sorriso da molecada que nem chegou. Não se deixa sequer os cofres satisfeitos com negociações prematuras. A massa com água na boca. Não se abdica dos chutões, das ligações diretas, das faltas perigosas. Não se treina cobranças de faltas. Não se economiza dinheiro com o mercado magro e desnutrido que vai ficando. Não se poupa. Há pompa milionária e bola murcha. Nosso mercado engole. Nosso mercado mastiga. Você tem prazer de assistir todos os jogos no país? Seja sincero.

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O líder Palmeiras é o melhor. Mas está longe de ser o que já fomos. Nosso nível de exigência é menor do que nosso sonho. A prata basta, a medalha basta, levar os três pontos basta. Felipe Melo é craque aqui. E é craque por saber dar lançamento de um lado para outro do campo. Esqueça os cartões, as declarações, as faltas absurdas. Felipe Melo é nossa falta de sorriso. Nossa falta de sorriso em forma de gente. Estamos sisudos como Felipe Melo. Latindo como os volantes cães de guarda. Morder é mais fácil do que construir. Sorriso não eleva paredes, eis a conclusão que chegaram. Sorriso exige tempo. Não é tempo para sorrir. O Brasil é o país da cara feia. E do jogo feio.

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Sorrir exige tempo de trabalho. Sorrir exige talento. Sorriso está fora de moda no país. O arroz com feijão já basta para matar a fome. Por enquanto - apesar das derrotas para o europeus - há dentes para triturar. É assim o sorriso amarelo dos vencedores nos últimos dez anos. O - apesar de tudo - justo sorriso amarelo dos que sobressaem na pátria de chuteiras.

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