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Sócrates, ídolo do Timão e líder da democracia, faleceu em 2011. Nessa quarta-feira, o Corinthians perdeu o título da Copa do Brasil para o Cruzeiro

Sócrates
"Piseagrama" / Divulgação
Sócrates

Oi, doutor Sócrates. Não te conheci. Quando você morreu, em 2011, eu estava no segundo ano da faculdade. Queria muito ter conversado contigo, te entrevistado, trocado ideias. O Magrão – como te chamam os amigos – sempre enxergou longe. Em várias áreas. O futebol, inclusive.

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Sabe, Sócrates . O técnico do seu time vacilou demais ontem. Ele foi o principal responsável pela derrota na Copa do Brasil. Escalou mal o time. Apostou em Jonathas e em Emerson, ambos titulares logo no começo do jogo. Pedrinho, o talentoso Pedrinho, ficou no banco de reservas. Mais uma vez. E sabe o que ele alega, doutor? Questões físicas.

O talento é segundo plano no futebol brasileiro. A coisa só tem piorado desde que você foi embora. Nossa seleção tomou de sete, nossos meninos saem cedo, nossos passes não são assistências. Nossos escanteios são curtos. Nossas arenas são lindas, mas nosso jogo é feio. Por aqui, Sócrates, estão inventando palavras diferentes. É o novo jeito de fingir modernismo.

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O jogo foi na belíssima arena do seu time. Você não conheceu. Você passou a vida toda jogando no Pacaembu. O Pacaembu foi sua casa. No Pacaembu, Magrão , você e Casagrande fizeram o Corinthians . Enfeitaram pelo Corinthians. Driblaram pelo Corinthians. Democratizaram o Brasil através do Corinthians. Foram grandes.

Querido Sócrates,

Seu time quase não chuta para o gol. Não cria, não dribla, não ameaça. Seu time se fixou no tal DNA defensivo. Na terra pintando a camisa branca. No desarme e na marcação. Seu time – o Corinthians – tem apostado errado nas contratações. E tem vendido seus principais jogadores a preço de banana. Seu time tem idolatrado o razoável Romero. Romero não seria nem reserva no seu Corinthians, doutor. Está duro de ver.

Mas seu País está pior. Seu País está perto de eleger como presidente alguém que defende Ustra, torturador da ditadura que você tanto combateu. É declaradamente a favor da tortura. Seu país faz de conta que não escuta o que ele diz sobre homossexuais, negros, mulheres e índios. Se o seu time não tem criatividade, seu País parece não ouvir. Não sentir. Não se queixar de dor.

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Por aqui tudo é cinza, Sócrates . Com grande chance de chover canivetes e armas. Assim como choveu gol cruzeirense na final da Copa do Brasil. Nem toda tempestade serve para lavar a alma.

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