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Pedrinho resolveu o duelo em Itaquera. Entrou e mostrou talento. Cruzeiro e Palmeiras fizeram confronto sem muita inspiração técnica no Mineirão

Ponto para Jair Ventura. Enfrentou o Flamengo – o Flamengo, diga-se, melhor tecnicamente do que o Corinthians – e conseguiu eliminar o escrete carioca. Jadson deu as cartas logo no começo do jogo e achou Danilo Avelar. O lateral chapou a bola e abriu o placar. Henrique, depois, jogou contra o patrimônio e empatou para o rubro-negro. O duelo foi amarrado do começo ao fim. Disputado bola por bola, canela por canela. O que já era de se esperar. Faltava talento para tanta mesmice. Sobrava força e velocidade, mas carecia dom.

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Pedrinho fez o gol da vitória do Corinthians em cima do Flamengo
Reprodução / Corinthians
Pedrinho fez o gol da vitória do Corinthians em cima do Flamengo

Pedrinho só entrou na metade do segundo tempo. Pedrinho – sujeito magro, canhoto – deu as caras no gramado aos exatos 22 do segundo tempo. Saiu Clayson, que não vive boa fase. Já Pedrinho é questionado por sua forma física, sua fraqueza corporal, suas canelas finas. É assim desde Fábio Carille, passou por Loss e também com Jair. Mas talento ainda é indispensável, amigos. Ainda é indispensável e pode resolver. Como ontem.

Ele é tímido. Absolutamente tímido. Pedrinho tem vergonha até de sorrir. Sorri com o canto da boca, sem graça, sem jeito. É dono de poucas palavras. Diz com a bola nas chuteiras. Somente assim. Diz driblando curto, enfiando para o companheiro, desnorteando o adversário. Abriu espaço e acertou o canto de Diego Alves, flamenguista, que se esticou todo e não pôde evitar o berro da torcida corintiana. Que gritou enlouquecida através dos pés de seu xodó. O Corinthians de Pedrinho está na decisão. Por causa de Pedrinho.

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No Mineirão, diferentemente do que tem feito nos últimos dias, Felipão errou em várias decisões. Optou por dois laterais que não marcam. Na direita, Marcos Rocha; na esquerda, Diogo Barbosa. Por ali – em ambos os lados – o Cruzeiro deitou e rolou nos contra-ataques. Edu Dracena e Antônio Carlos não estavam inspirados. Além de mostrar fragilidade nos desarmes no meio de campo, algo raro para times comandados por Scolari. Moisés, o bom Moisés, parecia ter comido uma feijoada antes do duelo em Minas Gerais. O alviverde era presa fácil quando não tinha a bola. Com ela, pouco ameaçou. Só pelo alto.

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No segundo tempo, decidiu voltar com Guerra, não com Lucas Lima. E com Deyverson. Opção para cruzamentos. Borja não tinha vibração, nem muita vontade, nem tanta gana de fazer a diferença. Felipão exige sangue quente. Borja estava completamente congelado. Borja e Deyverson, na verdade, eram o mesmo simbolismo para a falta de opções no ataque. Faltou ao Palmeiras alguém para desamarrar a qualificada defesa cruzeirense. Que pudesse driblar, encontrar centroavantes, chutar de fora da área. Alguém como Pedrinho. Poderia ter sido Lucas Lima, quiçá.

Foram semifinais duras. Pedrinho desamarrou o nó em Itaquera. Faltou qualidade em Belo Horizonte. O talento ainda é capaz de decidir no futebol. Nem tudo é igual. O diferente existe. O aplauso pode fazer mais barulho do que o latido dos retranqueiros.

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