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Criticado pela torcida, Deyverson faz o gol do Verdão na vitória contra o Corinthians no Allianz Parque. O passe foi do lateral Marcos Rocha

Deyverson ouviu risadas desde que foi contratado. Viu seu nome ser motivo de piada a cada bola na canela que protagonizou. Errou passes, lançamentos e finalizações. Sempre mostrou pouquíssima qualidade. Era o queridinho de Cuca, mas ninguém entendia. Era colocado por Roger Machado. O torcedor palmeirense - o mesmo que não deseja o fraco Roger Machado nem para o pior inimigo - se irritou demais com o centroavante de não sei quantos milhões de reais e de tantos mil erros graves de técnica. E, mesmo assim, Deyverson permaneceu sorrindo.

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Deyverson, no Palmeiras
Twitter/Reprodução
Deyverson, no Palmeiras

Sorrindo quando tomou cartão. Sorrindo quando errou o drible. Sorrindo quando escorregou. Quando substituído, nas redes sociais, quando perdeu e em todos os lugares e lances. Enquanto via seu torcedor com raiva, Deyverson jamais mudou a fisionomia. Pouco mostrava de diferente dentro das quatro linhas ou no escrete palmeirense. Não tinha reação diferente nas derrotas. O sorriso de Deyverson, por outro lado, fez o atacante ser muito querido no elenco. Em seus gols, repare: não há quem não saia correndo para abraçar o limitado jogador do Verdão. É o chamado bom de grupo. Como foi Kazim, por exemplo, no Corinthians.

O time reserva do Palmeiras é forte. Misto, na verdade. Dudu jogou nele no domingo. Mas tem Lucas Lima, Gustavo Gomez e Hyoran. É um grupo que rende uma barbaridade a mais em relação ao que acontecia com Roger. O alviverde tem dois bons times para brigar por qualquer campeonato. Já o Corinthians perdeu várias peças importantes por preço de banana. Viu Balbuena sair, Rodriguinho sair, Maycon sair. Jair Ventura chegou e não surpreendeu: foi o mesmo técnico extremamente defensivo que todo mundo conhece. Abriu mão de jogar ofensivamente e viu seus jogadores errando passes constantemente. O Palmeiras mandou no clássico.

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Dudu fez estrago pelos dois lados. Dominava, gingava, driblava. Perdeu poucos lances. Dudu, o de Scolari, é um dos principais jogadores do futebol brasileiro. O Dudu do antigo treinador era um atleta largado pelo campo, sem vontade, meio que preguiçoso. O Corinthians deu espaços e viu Marcos Rocha achar a lateral e cruzar rasteiro. A bola chegou em Deyverson, que apenas rolou até o fundo do gol. Cássio não alcançou. E Deyverson saiu - de novo - sorrindo pelo Allianz Parque. Mas agora também fazendo a torcida cantar e vibrar. 

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A placa de substituição mostrou o número dezesseis. O número dezesseis era Deyverson : o herói improvável, que saiu ovacionado. O sorriso mais bonito do Allianz Parque foi o do patinho feio.

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