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Depois de perder para o Fluminense, o técnico Osmar Loss passou a ser ainda mais questionado por parte da torcida do Corinthians, mas continua

Primeiro vamos ao óbvio: é um Corinthians sem peças importantíssimas do ano passado. Jô, artilheiro do Campeonato Brasileiro, saiu e não teve peça de reposição. Não no mesmo nível, claro. Chegaram os regulares Roger e Jonathas. Tudo muito distante do nível do ex-camisa sete. Não havia, aliás, qualquer jogador que tinha condições - naquele momento, naquele mercado - de suprir a ausência do ídolo. Junto com ele, Guilherme Arana deixou o Parque São Jorge. O melhor lateral esquerdo do Brasil em 2017. Não é pouco. E o Corinthians não gastou pouco para repor. Errou muito. Não conseguiu.

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Osmar Loss no Corinthians
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Osmar Loss no Corinthians

No meio do ano, foram mais duas perdas. Balbuena, alma corintiana no sistema defensivo, foi para o futebol inglês. Rodriguinho viajou rumo ao Egito. O Corinthians tem de se reinventar. E se reinventar - em qualquer segmento da vida - é tarefa árdua e cansativa. Osmar Loss é muito jovem. Ainda não se firmou como treinador. Se Fábio Carille assumiu o clube no começo de um ano, Loss pegou na metade. E pegou um time campeão. A pressão em cima dele é gigante. Nem poderia ser diferente. Não é fácil.

Bom, esses são os fatos óbvios. Mas o tema desse texto é outro. É a tranquilidade. A tranquilidade era a principal característica do Corinthians campeão nacional do ano passado. Poderia acontecer o que fosse: cair o mundo, chover canivete, cachorro voar e outras coisas impossíveis. Poderia acontecer de tudo que lá estaria o Corinthians: leve, tranquilo, sem um pingo de desespero. O Corinthians de Carille ganhava o jogo quando queria. Sua nota não era 10. Era 1x0. O suficiente.

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O Corinthians de Carille era leve. Leve e tranquilo. A última linha de quatro era sólida. E tinha Gabriel para antecipar. E tinha outros quatro jogadores no meio de campo. O Corinthians de Carille arrumou Romero quando perdeu Jô. O Corinthians de Carille, aliás, arrumou o Romero. Resgatou o Romero. Lançou, praticamente, o Romero de hoje para o futebol. Ensinou Romero a jogar bola. Tudo com a tranquilidade que transparecia em campo. Só deixou essa calma - seu principal atributo - quando começou a perder pontos e foi ameaçado no Brasileiro de 2017. Mas logo retomou o ritmo. O Corinthians de Carille tinha como ritmo não se desesperar. Chegou ao título.

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Esse Corinthians, não. Esse é bravo. Perde a linha rotineiramente. Joga copo de água em torcedora. É expulso com Romero. Vê mais cartões vermelhos no banco de reservas. Esquece o tempo de bola, erra a finalização e o passe final. Esse Corinthians está longe daquele recente que o corintiano se acostumou a ver. E não é só culpa do Loss. É de Andrés e da diretoria. E Andrés está mantendo Loss ali: firme e forte - mas não calmo - no banco de reservas. Aceitando migalhas por muitos dos seus principais jogadores. O Corinthians perdeu a tranquilidade. E perdeu a tranquilidade fora de campo. Vendeu a tranquilidade. Talvez a tranquilidade tivesse nome: Balbuena.

Calma é tudo que o Corinthians precisa para voltar a ser o Corinthians. Não sei se Loss é capaz de dar. O caminho até o desespero é sempre mais curto no futebol.