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O professor uruguaio levou o Tricolor até a liderança do Campeonato Brasileiro. Já Felipão fez o Palmeiras jogar de forma mais competitiva

Diego Aguirre é o grande professor do São Paulo
Divulgação
Diego Aguirre é o grande professor do São Paulo

O bom professor não é o que fala difícil. O que cria palavras complicadas, termos aprimorados, regras duras de entender. O bom professor é o que passa a mensagem com simplicidade. O que é entendido pela turma. O que faz o aluno crescer na matéria. O bom professor sabe mostrar, mas nem sempre sabe se mostrar. Não é metido a Machado de Assis. Prefere o claro ao complicado. Faz tudo ser transparente.

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O professor  fraco pode até saber tudo sobre o assunto. Ser o mestre da matéria, pós-graduado na coisa, ter cinquenta e quatro mil diplomas. Mas se torna um professor incompetente por não saber passar o ensinamento para o aluno. Fala em oportunizar, terço do campo e outras releituras. Discursa tão rebuscado que todos enxergam o professor como um mestre não compreendido. Um gênio não descoberto. Acontece no futebol: a chamada supervalorização. "Como são admiráveis as pessoas que não conhecemos bem". Millôr tem razão.

Roger Machado é dono da entrevista coletiva mais chata do futebol brasileiro. Não convence, não brilha os olhos, não responde quase nada. Tenta dar explicações, mas não explica os reais motivos, não se faz entender. No Palmeiras, amigos, ficou evidente: a coisa melhorou com Felipão. Professor menos glamourizado pela imprensa. Inclusive - reconheço - por mim. Após o vexame dos sete a um. 

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Chegou substituindo Roger. A água para o vinho, teoricamente. Sei que é cedo ainda, mas melhorou o time. Montou duas equipes competentes. E usa tática moderna: a de rodar o elenco. Pelo menos chamamos assim - de moderna - quando Juan Carlos Osório fez o mesmo no São Paulo, anos atrás. O Palmeiras de Felipão não tomou gol. Sei que é duro aturar tantos volantes, mas tem jogado de forma eficiente. Scolari é sujeito de conversa fácil. Roger Machado e Jair Ventura parecem falar grego. Verdão, Peixe e Tricolor agiram.

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Viram que seus jogadores não compreendiam as ordens. Aguirre mudou a cara do São Paulo. Transformou o time em grupo. As funções táticas são claras. A linha defensiva é sólida. Os volantes estão bem. O ataque tem respondido. E, antes algo impossível, virou líder do Campeonato Brasileiro. O Morumbi evoluiu com Nenê, de volta. Diego Aguirre não foge de perguntas. Responde o que pensa. Não dá voltas e não inventa. Conquista pontos, principalmente. 

A média é baixa no Brasil. Sempre torço o nariz quando algum técnico é chamado de professor . Mas, de fato, faz sentido. Professor é quem sabe ensinar. Não é quem fala, fala, fala e não diz nada. O São Paulo é o número um da turma. 

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