O paraguaio Angel Romero era bastante criticado no começo, mas deu a volta por cima no Timão e tem sido o jogador mais importante do grupo

Romero, atacante do Corinthians
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Romero, atacante do Corinthians

Romero aprendeu a jogar futebol no Corinthians . Até dois anos atrás - mais ou menos - ele não sabia sequer o que é a bola. Romero era incapaz de dominar. Era incapaz de passar para um companheiro próximo. Era incapaz de driblar. E era incapaz de acertar o gol. Só não era incapaz de correr. Corria, lá e cá, sem se cansar. Olhando Jadson, Renato Augusto, Elias e outros bons jogadores. Aprendendo com eles. Era incapaz, no entanto, de ser mero coadjuvante. De jogar entre os onze.

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Romero e Mendoza - você se lembra - eram vítimas das maiores ironias da mídia esportiva. Eles e quem os contratou. Romero era um apesar ambulante. Apesar dele no elenco, o Corinthians ganhou. Apesar dele no elenco, o Corinthians venceu novamente. Com Romero como titular, no ano passado, aliás. Era o apesar que marcava lateral. O apesar que preenchia espaço para Arana passar. O apesar que jamais seria mais do que um mero e incapaz apesar. Um triste apesar na rica história corintiana. 

Pois todos erraram. Romero aprendeu a jogar futebol jogando no Corinthians. Fez milagre: trocou o pneu com o carro andando. Enquanto era criticado e questionado, observava. Chegou sem saber dominar com o peito. Hoje ele dá chapéu. Dá caneta. E dá dribles desconcertantes em adversários incansáveis.

Romero virou finalizador exímio. Suas canelas já não acertam a bola. Suas canelas, hoje, são vítimas dos marcadores desiludidos. Dos apesares que não aprenderam a jogar futebol. Romero é - antes de tudo - um lutador. Que aprendeu. Não nasceu sabendo.

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Futebol geralmente se nasce sabendo. Os grandes craques são craques antes do estrelato. São gênios ainda meninos. Fazem a diferença desde o jardim de infância. Apontados por todos os lados, por todos os públicos. "Vai ser craque", deduzem. E são. Uns não vingam porque se perdem no caminho. Outros porque não têm sorte. E outros porque não têm vontade. Não querem aprender. Não melhoram, então. Gabigol, por exemplo.

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Romero melhorou aos poucos. Chegou perna de pau, no popular. Virou taticamente importante com o tempo. Hoje - e chuto que sempre enquanto jogar aqui - Romero é fundamental. Se jamais será craque, Romero é craque em querer. Na vontade de ser bom jogador, na garra. De fazer parte de um time com tal característica. Um time lutador . E o Corinthians, amigos, mostrou seu outro lado. Aprendeu a ter paciência e ensinar. Seu aluno tem dado aulas por preço de ingresso. Aulas de nunca desistir. E vale pagar.

É Romero , mas podem chamar de perseverança. A principal característica de qualquer corintiano: a perseverança. A perseverança faz a água virar vinho. 

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