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O lateral do São Paulo jogou adiantado e resolveu o clássico contra o Corinthians. Foi o grande destaque da vitória cheia de curvas de sábado

Não se fala em outra coisa: apenas em Reinaldo, em Reinaldo, em Reinaldo. Até outro dia era o mais criticado. O torcedor do São Paulo não podia ouvir falar em seu nome que reclamava. Seus passes, cruzamentos, seus chutes. Reinaldo estava para o Tricolor assim como Lúcio - o melhor lateral do mundo - estava para o palmeirense. E estava para o Tricolor assim como Fininho estava para o corintiano. Estava. Não está mais. São as curvas da história. 

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Reinaldo, lateral do São Paulo superou as curvas que a carreira deu
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Reinaldo, lateral do São Paulo superou as curvas que a carreira deu

Reinaldo, chutado por muitos amigos meus, está redimido. Está redimido de todas as críticas, ataques e desconfianças. Está redimido - repito - de qualquer nariz torcido, raiva passada. Reinaldo é um novo homem de sábado para cá. Escalado mais avançado pelo técnico Diego Aguirre, ele ganhou na velocidade, finalizou e a bola ficou na defesa corintiana. Mas, na volta, chutou cruzado e marcou um golaço. O segundo Tricolor no Morumbi. Na segunda vez, bateu de longe e Cássio aceitou. Várias curvas - assim como sua carreira vive - antes de estufar a rede. 

O São Paulo de Aguirre é outro. O São Paulo de Aguirre joga para ganhar, tem confiança e raça. O São Paulo de Aguirre faz as mesmas peças terem total relevância com o jogo. E ganha, o mais importante. O São Paulo de Aguirre não tem Raí, nem Amoroso, nem Muller, nem Silas. E nem Cicinho, Júnior, Zetti. O São Paulo de Aguirre se reconstruiu com Sidão no gol. E até nisso o uruguaio fez total diferença no trabalho. E vence. Como os grandes times de um passado glorioso: vence. Convence. 

Aguirre fez de Diego Souza inquestionável. Militão, joia - agora, uma pena, joia vendida. Aguirre construiu a melhor linha de quatro defensiva do futebol paulista. Fez Jucilei figura chave no meio de campo. É um time, não bons jogadores desorganizados. É onze por tantos mil que acreditam neles no Morumbi. É um grupo e não um bando. Reconstrução, não demolição. É o ponto chave da tabela. É a briga por título. Não a guerra contra o rebaixamento. 

O São Paulo é sorriso. Não choro de desespero. O novo São Paulo é Reinaldo. E até Reinaldo resolve no novo São Paulo de Aguirre. Mais vale um Reinaldo em evolução do que um Cueva sem vontade. O peruano era o símbolo negativo de uma história recente. Doía ouvir gritos por ele. Doía ver esperança em quem jamais teve perseverança com a camisa tricolor. Ele nunca foi vocês. Nunca quis ser.

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Você, São Paulo, não é Cueva andando. Nem mesmo os gritos por ele em sua casa. Mas é Reinaldo correndo. É Anderson desarmando. Arboleda crescendo. É Rojas chegando. É a eficiência de Jucilei. A briga de Hudson. É a garra de Liziero. Você, São Paulo, é a humildade ganhando da soberba. É Raí e Ricardo acertando. É Leco afastado. É Silas, Palhinha, Dagoberto e Borges. E, veja só, você é Reinaldo. Porque Reinaldo é o que Aguirre pede: é um pedaço de um time reconstruído. Reinaldo é o novo São Paulo.

E o pequeno Reinaldo fez o gigante Morumbi se curvar ao seu antigo julgamento. O grande Golias perdeu - mas perdeu feliz - para o Davi da décima quarta rodada. O São Paulo sorriu com seus dentes mais renegados e perseguidos. E fortes, amigos. E fortes. 

A bola escreve certo por linhas tortas. E curvas : como a que Cássio não viu passar.

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