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Se o choro alemão comoveu alguns, outros não mostraram o mesmo sentimento por Neymar. Os perseguidores do craque terão de aturar mais

Hoje quero falar sobre o choro e não é o de Neymar. ‘O choro é livre’ , disse um dia alguém. A campanha da Alemanha em 2018 foi vexatória. Favorita, a equipe de Joachim Low foi eliminada na primeira fase da competição. A desanimadora derrota diante da Coreia do Sul foi a cara alemã durante o mundial: um time que pensava poder resolver quando quisesse, sem gana para atacar, sem a intensidade de 2014. Kroos – o craque Kroos – deu sobrevida, mas nem ele foi o suficiente.

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Mario Gomez se lamenta após eliminação da Alemanha
Divulgação/Fifa
Mario Gomez se lamenta após eliminação da Alemanha

Os alemães choraram demais em Kazan. O gramado russo foi tomado pelo desespero de uma eliminação absolutamente inesperada. Os frios alemães desabaram e os brasileiros ficaram sem oportunidade de revanche. Houve quem chorou a saída dos rivais, atuais campeões do mundo. Quem se entristeceu, mesmo que nunca tenha torcido verdadeiramente pela Alemanha. Muitos que detestam Neymar ficaram comovidos com o choro dos rivais.  Os mesmos que - felizes e eufóricos - abrem seus dentes amarelos com cada fracasso do gênio brasileiro.

O craque brasileiro não pode chorar. Não pode driblar. Não pode sentir dor após pontapé. Nem dar chapéu, nem dominar com o lado de fora do pé, nem reclamar do juiz. Não pode deixar o cabelo como quiser. Pegam mais no pé do craque do que os adversários caneludos. Os idiotas condenam o choro de Neymar. O talento de Neymar. O gingado de Neymar.

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Queriam Tite fora, Coutinho fora, o Brasil fora. E apontam o dedo para o choro do camisa 10. Acusam até o psicológico do craque. Os mesmos – ou muitos deles – ficaram extremamente comovidos com o choro alemão. Mas acusaram o de Neymar.

O brasileiro que detesta Neymar vai ter de engolir o craque em campo por mais tempo. Tem Brasil e México na próxima segunda-feira (2). E Neymar estará lá: sorrindo, driblando e novamente fazendo alguns brasileiros remoerem seus cotovelos de inveja. E seus olhos com lágrimas. Lágrimas alemãs, ainda bem. O choro deles não será o nosso.

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