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De Bruyne deu belo passe para um dos gols da Bélgica na Copa do Mundo. Trivela ou três dedos: recurso raro no futebol atual

A trivela está em extinção no futebol. No brasileiro, então, nem por sonho. A trivela – para quem não sabe – é o passe com o lado de fora do pé. Junção de técnica, equilíbrio e confiança. São raros que têm recurso, realmente. Imagine Deyverson tentando acertar uma assistência com a categoria que a jogada exige. Deyverson, Kazim e Tréllez cairiam com a boca no chão, em pleno desequilíbrio entre talento e ousadia, causando um misto de vergonha e gargalhada nos expectadores. O passe de trivela é para pouquíssimos. Também é conhecido como três dedos, para os mais íntimos.

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Kevin De Bruyne deu lindo passe de trivela na vitória para a Bélgica sobre o Panamá
Reprodução
Kevin De Bruyne deu lindo passe de trivela na vitória para a Bélgica sobre o Panamá

O futebol mundial teve vários craques que passavam de trivela com excelência. Bergkamp, Rivellino, Gerson, Zidane e tantos outros. Geralmente os jogadores mais elegantes. O passe vem com curva para favorecer o centroavante. E o próprio toque, por si só, fica encarregado de já dar o primeiro drible no zagueiro. O centroavante recebe a bola pronta para ser finalizada, ajeitada e dominada pelo último companheiro. Não sei o motivo, mas é a verdade: a trivela está em falta. Ninguém – ou quase ninguém – usa o recurso.

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De Bruyne é um dos grandes passadores do mundo. O belga é comandado pelo espanhol Pep Guardiola, no Manchester City. É o ritmista do time e da seleção. Quem dita a velocidade do jogo, o posicionamento dos companheiros, a abertura dos clarões no campo. De Bruyne é um craque. Faz parte da ótima geração da Bélgica e promete fazer boa Copa do Mundo. Estreou hoje contra o fraco Panamá. Teve muita dificuldade, sobretudo no primeiro tempo.

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O meia errou muitos passes. Buscou o lance mais difícil, o lançamento longo, o toque decisivo. E não teve êxito na maior parte das vezes. Até que ele recebeu dentro da grande área e viu a movimentação de Lukaku. O goleador belga vinha sendo bem marcado pela defesa. De Bruyne meteu uma curva na bola e a colocou na cabeça de Lukaku, já livre, que completou para o gol. O efeito fintou a marcação e fez ela ir ao encontro do matador, de frente para ele. O toque foi de trivela . E a trivela é um drible com cara de passe.

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