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Rodrygo, jovem revelação santista, encanta com seus dribles e seu talento. Já é um dos mais queridos jogadores do futebol brasileiro. E tem apenas 17 anos

Craque , amigos, não sente a pressão. Nunca vi Ronaldo tremer, Rivaldo tremer, Zidane tremer. Pode estar no gramado do Bernabéu, na Bombonera ou no Old Trafford. Craque entorta o adversário, parte pra cima, dribla sem medo do pontapé. O craque é, sobretudo, um corajoso. Tem a coragem dos heróis, dos imortais. E desliza no gramado como se fosse gelo, finta o próprio reflexo, ilude a torcida adversária. E samba e diverte e brinca. Craque – e craque se nota cedo – faz que vai e fica. Finge que ficou e já foi. É facilidade pura, improviso e rapidez. E foi assim em Itaquera, com Rodrygo. Craque – e que craque, amigos – é Rodrygo. Com “y”. Não com “i”. Absolutamente original.

Rodrygo é a nova aposta da base do Santos
Site oficial/Divulgação
Rodrygo é a nova aposta da base do Santos

Ontem ele não fez gol e, segundo alguns, não foi quem sobressaiu. Eis a grande injustiça do futebol: para muitos, os senhores dos números e da modernidade, só é o melhor em campo quem balança a rede, quem decreta o placar, quem adiciona o gol na ficha técnica. Se não parou nos pés dos zagueiros, engolindo com dribles a marcação implacável, o moleque parou nas mãos de Walter, goleiro do Corinthians. Se tinha feito três na última rodada, no clássico acabou passando em branco. Não importa, porém. Afirmo: Rodrygo foi o craque do clássico. E mais: Rodrygo – o garoto Rodrygo – já é craque.

Só Rodrygo ousou driblar. Rodrygo, no semblante, chega a ser inocente e ingênuo. Não tem maldade, não tem malícia. Ele carrega traços de menino. Tem a pureza estampada no rosto, o rosto de criança. E no Santos crianças já nascem craques. Aconteceu faz pouco tempo: foi obrigado a faltar na escola e perder prova para jogar no Pacaembu. Foi ensinar. Ontem, logo no início da partida, escapou de Gabriel com apenas um minuto de jogo. E depois de Maycon. E depois de Balbuena. E foi assim o jogo todo, um a um, sempre com cortes exatos, velozes e curtos. Ontem ele estraçalhou as linhas de quatro, os esquemas defensivos, as táticas sobressalentes ao talento. Rodrygo humilhou a objetividade dos números. E, se não venceu no placar, ganhou na arte.

O futebol exige pressa nos diagnósticos. Já nos perdemos em várias definições. Dissemos que Lucas era craque, que Jean Chera era craque, que Keirrison era craque, que Lulinha era craque. Eu, pelo menos, cheguei a definir. E nenhum deles foi craque, no entanto. Foram apenas precoces candidatos ao simbolismo de craque. Mas publico agora, com cada palavra como prova e sem medo de errar, com a ansiedade que o jogo causa, a beleza do último drible, digo: o Rodrygo - o Rodrygo que eu vi em Itaquera - é craque. Foi ontem e vai ser amanhã, se Deus quiser.

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