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Ele chegou ao Corinthians como Fábio e deixou como Carille, mas no fundo ele sempre foi o mesmo profissional que sempre defendeu o Timão. É hora do adeus

Você é Cássio se esticando e buscando. É o goleiro do Corinthians dando a volta por cima e vencendo. Você é Fágner marcando e jogando até ser convocado. E é Balbuena crescendo e empurrando companheiros. É o desconhecido Pablo virando peça fundamental da sua organização. E saindo. Você é Henrique chegando. Reconstruindo. Pedro Henrique evoluindo. Maycon aparecendo. E já indo. Entrando Camacho. Trocando depois, sempre no segundo tempo, agora também no segundo ano. Gabriel marcando. Ralf somando. E é Jadson passando. Rodriguinho armando. Romero brigando. Você é Jô anotando. E é até Kazim errando. Porque você é fiel. E não desiste de quem sempre acredita no seu time. Seu time: que sempre acreditou em você.

Bicampeão paulista e campeão brasileiro pelo Corinthians, Carille deixou o clube nesta terça (22)
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Bicampeão paulista e campeão brasileiro pelo Corinthians, Carille deixou o clube nesta terça (22)

Você é a força que alguns chamaram de quarta. Mas foi primeira em quase todas as chances que teve. É Jadson encontrando Romero, em sua primeira competição como técnico, na final. É o goleiro da Ponte Preta rebatendo. E Romero comemorando. É eliminação nos pênaltis na Copa do Brasil. E depois é volta por cima. O jogo contra o Fluminense. O escanteio deles. Um a zero. Mas nem assim você é silêncio. É a voz que empurrou dos pés de Clayson até a cabeça de Jô, marcado por quatro adversários. E é Clayson cruzando no travessão. Jô, de novo, decidindo. O imparável centroavante que você redescobriu. Você é Jadson acertando a lateral da rede. E tinha tudo para não ser mais tudo aquilo quando Jô saiu. Mas era você. E continuou sendo.

É você ao lado de Rodriguinho, já em 2018, empatando no início. Cássio alcançando o primeiro pênalti. E o terceiro. É o menino Maycon definindo. A perna esquerda que você confiou. O por enquanto último título que você conquistou. Tudo por causa da organização dos últimos dez anos. A bem armada linha de quatro. A filosofia implantada por Mano e aperfeiçoada por Tite. Herdada por você: que buscou peças, aparou arestas, acreditou em quem muitos desconfiavam. É você: que soube esperar o momento certo, não pulou etapas, absorveu o que agora todos reconhecemos. Sua mãe não queria. Sua família torcia o nariz. A imprensa olhava de lado. Você sempre foi o Fábio. Mas ali se transformou em Carille.

Duvidaram de você quando Cássio voltou. Quando Pablo chegou. E quando Romero você escalou. E não acreditaram mais em você quando Jô deixou. Quando Sheik retornou. Quando você reconstruiu. É você, Fábio. Já sem palavras para definir. Sem jogo para apostar. Sem a camisa para vestir. É você, Carille. Sem voz para comemorar. Sem jogador para acreditar. Sem título para disputar. Sem o Corinthians para defender. Sem tanta gente para se orgulhar de você.

Fábio Carille, mas pode chamar de Corinthians. É você. Sempre vai ser.

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