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Criticado por atuar em uma posição que não é a dele, Diego Souza decidiu o jogo e classificou o São Paulo, no Morumbi, pela Sul-Americana

O que faltou - em muitos lances - foi um centroavante. O São Paulo atacou de todos os jeitos possíveis: pelo chão, pelo alto, pelos lados, pelo meio. A bola martelava, martelava, martelava. E, no último ato, no momento de decidir, o finalizador falhava. Não é a primeira vez que isso acontece. A torcida já até se acostumou: o time cria oportunidades e erra no final. Faz um tempo, Diego Souza chegou para evitar isso. Sabemos: não adiantou. Dizem que é empenho, posicionamento, preguiça e mais outras coisas. Eu não sei exatamente o que é, mas sei que Diego não é centroavante.

Diego Souza foi o autor do gol que garantiu a classificação do São Paulo
Divulgação
Diego Souza foi o autor do gol que garantiu a classificação do São Paulo

Ontem, logo no começo do jogo contra o Rosario,  Petros perdeu o gol mais feito dos últimos anos. Talvez - arrisco até - o mais feito da história do Morumbi. Recebeu passe de cabeça na pequena área. O goleiro Ledesma estava vencido. Não tinha ninguém para impedir Petros. O volante errou a finalização. Bateu, meio que de tornozelo, para fora. Beirou o bizarro. Eu, minha mãe, minhas avós, meu primo Raphael e até o Tréllez faríamos o gol. Ok, não vamos exagerar: talvez o Tréllez também desperdiçasse. Tréllez, Kazim e Deyverson. E só eles. Aliás: se a gestão Leco fosse um lance, seria Petros quase que furando a pobre bola e a jogando ao lado da trave. Então, corrigindo, poderiam errar: Tréllez, Kazim, Deyverson e Leco. Apenas.

Depois, ainda no primeiro tempo, a ausência de centroavante ficou clara quando Nenê teve a chance. Ele recebeu em plenas condições para abrir o placar. Chapou a bola, rasteira, exigindo grande intervenção de Ledesma. Não foi uma defesa fácil: Ledesma se esticou todo para evitar o gol brasileiro, no chão. Até por isso, neste caso, temos de admitir: o mérito do goleiro foi muito maior do que o erro do atacante. A bola, na sequência da partida, pingou e rolou algumas vezes na área do fraco Rosario Central. Mas faltava alguma coisa. Faltava o centroavante. Evidentemente. 

Eis que apareceu o lateral Reinaldo. Ele recebeu já dentro da área, fintou o adversário e ficou cara a cara com o goleiro Ledesma. Bateu cruzado. A bola atingiu a trave e voltou. Voltou rapidamente. Tão rapidamente que pegou Diego Souza de surpresa. Ele não esperava tamanha sorte e sua reação foi até engraçada: ficou absolutamente espantado. Só notou a presença da bola quando ela atingiu sua canela e entrou. Bola e Diego Souza se assustaram e se conflitaram, ao mesmo tempo. Ela se viu, de repente, encurralada, cercada e sem escolha. Não tinha, naquele momento, como sair. Bateu no jogador, como se fosse em uma parede, e estufou a rede. Diego quase não teve culpa nenhuma, mas teve um único mérito: o posicionamento. O posicionamento - reconheço - foi de centroavante. 

A canela fez o centroavante.

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