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O Atlético Paranaense perdeu em casa para o Palmeiras. O texto de hoje fala sobre a maneira de jogar do Furacão

Roger Machado foi inteligente. Sabe que o Atlético Paranaense de Fernando Diniz sai jogando com a bola nos pés, buscando o passe, nunca o chutão. O goleiro é praticamente um líbero. O volante vem receber, dar opção, junto com os zagueiros. O jogo flui naturalmente e é bonito de ver. O técnico palmeirense, então, colocou Willian para dificultar esse trabalho do oponente. Tirou o lento Borja para apostar na velocidade de marcação. E deu resultado: o alviverde ganhou por três a um, em Curitiba, diante do ótimo dono da casa. É um time cada vez mais maduro e isso é inegável.

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Fernando Diniz, treinador do Atlético-PR
Divulgação
Fernando Diniz, treinador do Atlético-PR

O Atlético de Diniz é diferente de todos os outros. Em certos momentos, com essa forma de jogar, acaba causando frio na barriga da torcida na Arena da Baixada. O adversário pressiona e alguns lugares são fatais quando se perde a bola. Já é assim desde o Audax . Fernando não precisa de grandes estrelas para fazer a roda girar. O lema é espaço: espaço para armar e desmarcar. Espaço para criar chances e pressionar. Espaço para segurar a bola e se movimentar. E, claro, para evitar que o outro time tenha o controle da posse. É assim o Furacão de 2018.

Não deu certo no final de semana. Mas é bom de ver. Seja o show do Atlético, seja o show do adversário. O jogo fica mais interessante. Os times de Diniz têm certa rejeição ao ansioso. São sempre calmos e frios. Alheios a qualquer tipo de pressa e desespero. Não parecem querer apenas o resultado, o um a zero feio e magro. Querem convencer e propor. O futebol que tanta gente pede e a gente parece ter perdido aqui no Brasil, junto de peças prematuras e negociadas cedo demais. Onde as estrelas surgem e saem; brilham e logo apagam; aparecem e somem. Aqui se detesta o diferente. O diferente é sempre escanteado. O comum está nos engolindo. É a crise, dizem. Chegou ao futebol. 

Fico com Marinho Chagas , que certo dia filosofou: "A crise está tão feia que estou latindo no quintal para economizar cachorro."

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