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O Vasco perdeu por quatro a zero para o Cruzeiro - no Rio de Janeiro - e foi eliminado da Libertadores. A coluna de hoje é sobre o rumo que o clube carioca tem percorrido

Há quem acredite em coelhinho da páscoa, papai noel, em duende e bicho papão. Essa mesma classe não gosta de olhar pra frente. Fica com a mira no retrovisor, enaltecendo o passado, enquanto vai sofrendo no presente. O agora - o instante - vai passando dolorosamente, como se não tivesse tanta importância. E, se nada está dando certo, sempre é culpa de um terceiro, ou do acaso, ou do destino. Da lua, do sol, do horóscopo, da oposição. Nunca a culpa é própria.

O Vasco tomou um baile do Cruzeiro em São Januário. Mas o baile não foi nessa quarta. Vem sendo, faz tempo. O Vasco é goleado quando só contrata jogadores limitados. Quando vende promessas precocemente. Quando se perde financeiramente. Quando não reconhece seus ídolos e não repõe. Quando aposta em um dirigente ultrapassado como solução para os seus problemas. De novo, de novo e de novo.

Para ser mais preciso: se tivesse um rosto esse atual time do Vasco, ele seria imagem e semelhança de Eurico Miranda. O torcedor retratado no primeiro parágrafo - aquele que aposta no passado como remédio para o presente e futuro - clama por Eurico. Idolatra Eurico. Enaltece, endeusa e ama Eurico. Implora por Eurico. E, naturalmente, a culpa nunca é do mandatário (ou de quem elege o mandatário) do clube. É da grama, do time, dos ETs, dos dinossauros, da bola. Mas jamais de Eurico.

Eurico é o Mustafá do Vasco. É o Dualib do Vasco. É o Ricardo Teixeira do Vasco. É qualquer coisa, mas não é o Vasco. O Vasco - pra mim - é a garra de Edmundo. O bico de Romário. Os gols de Dinamite (mas só em campo). O chute de Juninho. A elegância de Mauro Galvão. A segurança de Germano. É o talento de Leonidas. É a sensatez de Tostão. É a versatilidade de Mazinho. É a raça de Bellini. É o Vasco. E faz tempo que não é o Vasco.

O atual Vasco de Eurico é humilhado por Sassá. Punhalada por punhalada em quem acredita em um dirigente ultrapassado. Sou de um tempo em que a realidade era ser campeão. Jamais foi sonho continuar na Serie-A. O Vasco de Eurico vende estrelas que sequer brilharam. E vai se apagando em utopias não merecidas, em promessas descabidas, em goleadas humilhantes.

O Vasco está em processo de erupção. Ou, segundo os que enxergam, se trata de Euriquição. O que é bem mais preocupante. E triste, principalmente.

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