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Iniesta oficializa saída do Barcelona depois de 22 anos. A coluna de hoje é sobre o craque espanhol e seu marco no futebol

Cresci idolatrando quem fazia o difícil. Ronaldinho Gaúcho era o nome da minha adolescência. E, com ele, dribles monumentais, gols extraordinários e lances geniais. Vi o craque dando três ou quatro chapéus (muitas sabem o plural da palavra "chapéu" por causa daquele lance pelo Barcelona). Ou seja: ensinou até indiretamente quando fez o impossível.

Você deve ter visto. Tem um comercial antigo em que Ronaldinho acerta três chutes seguidos no travessão. Isso sem deixar a bola cair. Explode no pau e cai na perna do gênio dos cabelos longos. Ele amortece a bola e chuta outra vez. E outra. E outra. Mas essa é a prova de que nem sempre Ronaldinho é educativo. Meu primo Raphael Chiummo, no dia seguinte, lá em 2005, tentou fazer a mesma coisa. Não aprendeu, claro. Tropeçou e caiu. Causando risada nos outros pernas de pau. Eu, inclusive. "Quem não erra é aquele que acerta", filosofou Raphael depois da presepada.

Após uns anos, Xavi e Iniesta eram o trampolim de Messi. Messi driblava meio mundo assim como Ronaldinho. Xavi e Iniesta limpavam a área. Ajeitavam a bola. Clareavam o jogo. Deixavam Messi o mais livre possível. Desmarcavam o argentino. Ganharam muitos títulos juntos. Descobriram espaços inimagináveis.

Andrés Iniesta
Reprodução
Andrés Iniesta


Ninguém conseguiria cobrir o espaço de Xavi quando o tempo passou. O Barcelona novamente se reinventou, mas é fácil se reinventar quando ainda se tem Iniesta. Iniesta foi melhor do que Xavi, mas apenas diferente de Messi e Ronaldinho. Diferente na forma de ver o jogo, de dar o show, de trazer o espetáculo para si. Ele é passe; os outros são drible. Ele é assistência; os outros são gols. Ele é inteligência; os outros são decisivos. Existem menos Iniestas do que Ronaldinhos na história. E Iniesta está deixando o Barcelona.

O fantástico poeta Raphael Chiummo tinha razão: "quem não erra é aquele que acerta". Iniesta sempre fez parecer ser fácil porque quase nunca errou. O futebol, porém, não é tão simples como o meia fazia parecer. Perder o espanhol também não é.

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