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'Gostar de sofrer' está entre as frases dos novos técnicos brasileiros. A crônica de hoje é sobre essa expressão e também sobre a vitória corintiana na Argentina

Não curto a frase 'gostar de sofrer'. Dizem que os times que sofrem o jogo todo e ganham por um a zero se animam com essa situação. Não há, meus caros amigos, quem goste de sofrer. Isso é um exagero. Um símbolo ruim que supostamente representa uma vitória magra. Não identifica o que existe no fundo do peito do vencedor da noite. Nem se for apenas um chute em 90 minutos, contra 60 do adversário. Nem essa analogia serve.

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Jadson Corinthians Independiente Libertadores
Divulgação
Jadson Corinthians Independiente Libertadores

Não há quem goste de sofrer. Por exemplo: ninguém que toma um pé na bunda gosta de tomar um pé na bunda durante o namoro. Fica remoendo aquilo, numa angustia danada, pensando a noite toda. Pode até curtir o fato de gostar da outra pessoa, mas não é possível que possa sorrir diante de um fora. Corta, machuca, perfura. A gente pode aprender com um fora, evoluir com um fora, ressurgir com um fora. Mas jamais sorrir. Sorrir é a prova que o amor nunca existiu, na verdade.

Uns superam a dor melhor do que outros. Seja perda física ou material. Uns usam aquilo para evoluir de alguma maneira. Crescem e amadurecem. Mas gostar, jamais. Vamos ao futebol: virou moda dizer que o Corinthians gosta de sofrer. Ontem foi apenas um a zero contra o argentino Independiente, fora da casa. Cabeçada do pequenino Jadson. Defesa do goleiro, bola na trave, rebote na cabeça do goleiro e gol do Corinthians. Sim: sorte gigantesca na jogada específica. Nem tanto brilho durante o jogo. Agora dizer que um time 'gosta de sofrer'? É demais. Há quem lide melhor com a pressão do concorrente. Admito. Mas 'gostar de sofrer'? Futebol não é sadomasoquismo, meus caros. 

'Gostar de sofrer' está entre as frases citadas pelos novos técnicos brasileiros. 'Oportunizar', 'Último terço', 'triangulações laterais', 'miolo de zaga' e mais umas outras expressões da juventude ainda imatura do velho futebol nacional. Autora do novo dicionário da bola. Muitos deles inventam termos, mas ainda não ganharam pra valer. Tentam ensinar o que ainda não provaram que aprenderam. Roger Machado, Jair Ventura, Eduardo Baptista e Zé Ricardo estão nessa lista. Não é o caso do campeão e competente técnico do Corinthians. Ele resume ideias em 30 segundos e não inventa termos ou finge conhecer na teoria o que não acontece na prática. É evidente o seu trabalho. Falo do ótimo Fábio Carille.

Que - quase sempre campeão - ainda não aprendeu o que é sofrer. 


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