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O texto aborda a vitória emocionante do Timão contra o rival São Paulo. O próximo adversário será o Palmeiras, na decisão do Campeonato Paulista

Quando Aguirre não cumprimentou. Quando Carille reclamou. Quando o São Paulo ganhou. Quando o duelo da volta chegou. Quando o primeiro tempo terminou. Quando o coração apertou. Quando, nos acréscimos, Clayson cruzou. Quando o verbo parou de ser no passado com a bola voando. Prestes a encontrar a cabeça de Rodriguinho. Antes de balançar a rede. E tudo mudar para o presente. Outro presente que Cássio deu ao Corinthians diante de quem, no passado, ficou marcado em situação semelhante. Diego Souza caminha. Anda na direção da bola. Bate o pênalti. E não precisa nem dizer o que aconteceu.

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Após gol nos últimos minutos, Cássio apareceu e deu a vaga ao Corinthians nos pênaltis
Reprodução
Após gol nos últimos minutos, Cássio apareceu e deu a vaga ao Corinthians nos pênaltis

Teve quem não acreditou em você, Corinthians. Você que abriu as portas para Sheik. E viu Emerson se sentir em casa de novo. Não é aquela mesma residência, o Pacaembu, onde ele arrancou. Chutou de chapa na bochecha da rede. Bateu, com raiva, com o peito do pé no meio do gol. Mordeu adversário. Catimbou contra argentino. Carimbou a taça. Calou a boca de uns e fez outros gritarem. Extravasarem. Desabafarem. Emerson que, com quase 40 anos, vibrou aos 40 e poucos minutos do segundo tempo.

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O jogo, assim como a carreira de Sheik, chegava ao final. Diego Souza, assim como em 2012, arrancou. Mas não teve a velocidade de seis anos atrás. Foi alcançado e não conseguiu finalizar. E, quem não termina, tem chance de ver o adversário encerrar a conversa. E foi o que aconteceu quando o experiente Fágner voltou da seleção. Quando Pedro Henrique e Henrique garantiram. Quando o canhoto Maycon chutou. Quando Gabriel desarmou. Matheus Vital apareceu. Com o papudo Emerson. Com o cascudo Danilo. Com o esforçado Clayson. Com o nada esfomeado, o bem magrinho Pedrinho. Nada diminutivo apesar do nome. Todos cabecearam com Rodriguinho e defenderam com Cássio.

Vocês lamentaram a saída de Jô. Ainda procuram substituto para o artilheiro do Campeonato Brasileiro. Vocês acreditaram em Júnior Dutra. Ainda confiam em Kazim. Vocês se entristeceram quando Arana vestiu a camisa do Sevilla. Mas vocês também deram confiança para Juninho Capixaba. Para Romão. Para Sidcley. Para quem chegar e vier porque vocês são assim, corintianos: chegam e lutam sempre. Ou se preferirem: simplesmente são corintianos. E nem precisam de mais rótulos. Seguem mesmo machucados ou golpeados. Fábio Carille: novamente questionado em janeiro e fevereiro. Exclamado e gritado no final de março.

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Apenas cumprimentem o talvez atual melhor técnico do Brasil. Que ouviu calado a semana toda. Que, é verdade, tentou desviar o foco na semana passada. Que, pelo bom trabalho, pode sair na foto de novo. Que viu, como vocês, Cássio explodir e cair no canto direito. Cássio: recuperado depois de esboçar declínio no final de 2016. Se reerguer também faz parte. O mesmo vale para Rodriguinho. Que testou no ar a vaga para a final do estadual. Desistir, definitivamente, não é o verbo que mais combina com o Corinthians.

Vocês não são os dois ou três jogadores que perderam, negociados em dezembro.

Vocês, na verdade, são os milhões que se perdem diariamente pelo Corinthians.