Wilder vs Fury 2, em Las Vegas
Diego Ribas / AGFight
Wilder vs Fury 2, em Las Vegas

Ser o único jornalista brasileiro presente na luta Wilder vs Fury 2, em Las Vegas (EUA), representou um misto de sentimentos para mim. Retornar ao icônico MGM Grand Garden Arena após tantos eventos de combate realizados seguidamente no moderno no T-Mobile Arena dava o ar de nostalgia necessário para aquela noite, e que foi coroado com a homenagem feita a Lennox Lewis, Evander Holyfield e Mike Tyson.

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Em cima do ringue, os três ex-campeões mundiais da categoria peso-pesado, responsáveis por alavancar a visibilidade da nobre arte a um patamar inédito na década de 90, foram ovacionados pelos presentes. Ex-rivais, os veteranos merecem facilmente o protagonismo de uma segunda edição, caso seja feita, do filme “Champions Forever” - o longa, lançado em 1989, narra as carreiras e rivalidades entre Muhammad Ali, Joe Frazier, Ken Norton, Larry Holmes e George Foreman.

Diferentemente da geração de heróis que os precederam, Tyson, Lewis e Holyfield brilharam na época em que a televisão se tornava um veículo de comunicação acessível para as massas. E como resultado, seus feitos foram vistos em todos os cantos do mundo. E é aí que eu me enquadro.

Cresci vendo as lutas desses gigantes e sempre fiquei encantado com a capacidade de seus embates atraírem tanta atenção da mídia, sempre com a fabulosa cidade de Las Vegas (EUA) como pano de fundo. Não foram poucas as noites em que meu pai me acordou para vermos juntos cada um dos rounds disputados - vez ou outra, a noite terminava com ele me contando alguma história curiosa da geração anterior, a dos seus heróis.

Ao mesmo tempo, mal sabia eu que essa paixão que nascia ali se tornaria algo muito maior do que o meu lazer. Anos se passaram e me tornei jornalista especializado na cobertura de, vejam só, lutas. E, para levar isso ainda mais a sério, abri a minha própria agência de notícias e me mudei para, quem diria, Las Vegas.

No meu segundo dia na cidade, anos atrás, fui de ônibus (quem conhece a cidade sabe o quanto isso é penoso) até o MGM e o Mandalay Bay para ver de perto os cassinos que receberam os combates que marcaram minha infância. E neles também pude ver e trabalhar na cobertura de outros tantos confrontos épicos, seja em noitadas de UFC ou em noites lideradas por Floyd Mayweather, Manny Pacquiao, Keith Thurman, Timothy Bradley...

Foi nesse mesmo MGM lotado que, em 1997, Mike Tyson foi desclassificado por morder duas vezes a orelha de Evander Holyfield. Lembro de ver tudo pela TV. Quase 20 anos depois, nesse palco vi pessoalmente Conor McGregor nocautear José Aldo em meros 13 segundos. Agora, em 2020, vi essa bela passagem de bastão dos heróis do passado para os ídolos do presente.

Lutas do século no boxe: Mike Tyson x Evander Holyfield
Divulgação/Reprodução/Arquivo
Lutas do século no boxe: Mike Tyson x Evander Holyfield

Afinal, essa homenagem reuniu os três grandes ícones da nobre arte da década de 90 momentos antes do embate entre dois atletas invictos que lutavam pela supremacia do esporte no auge de suas carreiras - cada um deles tendo em vista outra possível superluta contra o inglês Anthony Joshua, campeão olímpico em 2012. A divisão dos pesados, assim, retomou seu lugar de direito e de destaque no pugilismo mundial depois de anos de lutas mornas e campeões com pouco carisma. Ao Fury, então, cabe a missão de liderar esse grupo.

E ao contrário das gerações anteriores, acompanhadas pelas narrativas do meu pai ou pelas lutas vistas ao vivo na televisão, agora vejo tão de perto que faço parte desse grande circo. Relato histórias e feitos de cada grande lutador sabe-se lá para quantos leitores nos principais sites de notícias do Brasil. Quem sabe algum dia eu não encontro em um deles o mesmo encanto pelo esporte que foi despertado em mim.

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