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UFC/Divulgação
Jon Jones no UFC

Jon Jones é um verdadeiro fenômeno. Campeão mais jovem da história do Ultimate, com apenas 23 anos na época, o americano enfileirou as principais lendas da divisão dos meio-pesados (93 kg) para se concretizar como o rei soberano da categoria. No entanto, por incrível que pareça, o sucesso precoce afeta negativamente sua carreira nos dias de hoje. Sem rivais à altura nos meio-pesados, ‘Bones’, de certa forma, viu seu legado no esporte estagnar. E a essa altura, a única forma de se reinventar e expandir ainda mais seu nome na história do MMA é caso ele aceite subir para os pesos-pesados.

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É inevitável. Jones já venceu os principais adversários de duas gerações diferentes do Ultimate . De Lyoto Machida a Thiago ‘Marreta’. De Quinton ‘Rampage’ Jackson a Daniel Cormier. O americano representou a renovação quando surgiu entre os ‘medalhões’ como Vitor Belfort e Maurício Shogun – contra quem, inclusive, se sagrou campeão, em 2011. No entanto, nesta nova safra de lutadores não há um ‘novo Jon Jones’, que possa representar um verdadeiro desafio para o campeão.

A ausência de um verdadeiro ‘risco’ para Jones dentro dos octógonos nos últimos anos também explica o apelo menor do que o esperado em suas lutas. Como o americano é sempre favorito absoluto, os fãs não se sentem tão atraídos para assistir seus combates de resultados ‘previsíveis’. Desta forma, Bones, apesar de ser um astro consolidado na companhia, fica longe de marcas expressivas de vendas de pay-per-view alcançadas por atletas como Conor McGregor e Khabib Nurmagomedov – que possuem muito menos ‘tempo de casa’ que o campeão meio-pesado.

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Rigel Salazar
Jon Jones

Jones cravou seu nome na história como o maior meio-pesado de todos os tempos, já conquistou tudo o que poderia na divisão até 93 kg. No entanto, com apenas 32 anos e a carreira longe do fim, o americano não consegue mais aumentar significativamente seu legado no esporte nesta categoria, independentemente de quantas defesas de cinturão bem-sucedidas realize.

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Mas, uma vez entre os pesos-pesados, ele teria um desafio real, daqueles que Jones não enfrenta há anos. Mas é um risco necessário. Daria aquele ‘frio na barriga’ de iniciante e afastaria o atual estigma de imbatível atrelado a ele. Possíveis duelos contra rivais com poder de nocaute acima da média como Francis Ngannou, Stipe Miocic e Jairzinho Rozenstruik fatalmente angariariam mais apelo dos torcedores do que qualquer embate atual entre os meio-pesados.

E seu próximo compromisso, diante de Dominick Reyes, está incluso neste pacote. Nem mesmo um rival que nunca foi superado dentro do octógono parece despertar o interesse dos fãs ao redor do mundo ao ponto do UFC 247 , com sede em Houston (EUA) e agendado para o dia 8 de fevereiro, ser um verdadeiro sucesso de vendas da organização.

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UFC/REPRODUÇÃO
Jon Jones no UFC

Os torcedores mais fanáticos sabem que Dominick possui um talento promissor e realmente pode oferecer perigo para Jones na trocação. Mas, ao mesmo tempo, esses mesmos fãs têm noção do quão superior e mais completo Jones é com relação ao rival. Portanto, no final das contas, por mais perigoso que o adversário seja, todos esperam o mesmo resultado: ‘Bones’ com o braço erguido novamente.

Para deixar de lado essa aura de ‘mais do mesmo’, Jones precisa sair da zona de conforto. Recentemente, o lutador destacou que planeja “grandes coisas” para seu futuro como profissional. Torçamos para que os planos envolvam se aventurar nos pesos-pesados e nos brindar com seu talento na divisão mais pesada do MMA .

Seria incrível. Para Jon Jones . Para os fãs. Mas, principalmente, para o esporte.

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