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Atual campeão dos pesos-moscas, Cejudo vai em busca de um bicampeonato ao subir de categoria e vislumbrar também o cinturão dos pesos-galos

Henry Cejudo
Reprodução
Henry Cejudo

Apesar de ser um lutador de MMA , no dia 8 de junho, Henry Cejudo terá seu dia de jogador de pôquer, mesmo dentro dos octógonos. E a tática que o especialista e campeão de wrestling olímpico adotará será ousada, o famoso ‘all-in’ – uma espécie de 'tudo ou nada' para nós, brasileiros. E a expressão faz total sentido para o momento que vive ‘The Messenger’. Afinal de contas, seu confronto contra Marlon Moraes está longe de ser apenas uma luta comum, uma vez que envolve seu legado e até mesmo seu status de ídolo na organização.

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Atual campeão dos pesos-moscas (57 kg) do Ultimate, Cejudo vai em busca de um bicampeonato na companhia ao subir de categoria e vislumbrar também o cinturão dos pesos-galos (61 kg) – que hoje está sem dono. Caso sua investida dê certo, o atleta da ‘Fight Ready’ mudará de patamar e será alçado a uma prateleira de verdadeiras lendas dos esportes de combate.

No entanto, caso o contrário ocorra, as consequências negativas podem ser ainda maiores. Afinal, com uma derrota diante de Marlon Moraes, Henry deixa de vislumbrar dois cinturões e corre o risco de perder o título que já tem. Isso porque a categoria até 57 kg é ameaçada de extinção há tempos dentro do UFC . Logo, o medalhista olímpico, além de não vencer o brasileiro no dia 8 em Chicago (EUA), pode ver seu título dos moscas escapar diante de seus olhos com o fim da divisão mais leve entre os homens.

De ‘queridinho’ a ‘só mais um’

Com embate histórico entre Henry Cejudo e Demetrious Johnson
UFC
Com embate histórico entre Henry Cejudo e Demetrious Johnson

Desde que fez história ao bater o então invencível Demetrious Johnson e conquistar o cinturão dos moscas em 2018, Cejudo se tornou a ‘nova cara’ da categoria – que sofria em questão de apelo e vendas com seu antigo campeão. Com o novo rótulo de ‘queridinho’ do Ultimate, Henry adotou uma postura completamente diferente da de ‘Mighty Mouse’ fora dos octógonos.

Mais extrovertido e provocador, Cejudo deu uma espécie de sobrevida para a divisão até 57 kg, que já estava com os dias contados. E, desde então, passou a ter uma missão bem definida em sua mente: provar o valor da categoria dos moscas para evitar sua extinção. Para isso, nada melhor que enfrentar o campeão de outra divisão e vencê-lo, certo? Foi exatamente isso que o americano fez ao nocautear T.J. Dillashaw de forma impressionante.

O triunfo foi ainda mais aclamado após o flagra no doping de seu adversário – que ficará dois anos suspenso do esporte. No entanto, nem mesmo essas façanhas parecem ter sido suficientes para que Henry conseguisse evitar, de fato, o fim dos moscas. Com o tempo, o Ultimate dá claros sinais de que extinguir a categoria faz parte dos planos.

Prova disso foi a demissão em massa de atletas da divisão – a mais recente delas, do brasileiro Wilson Reis, que figurava entre os melhores do ranking. Com isso, restaram apenas 13 atletas que batem 57 kg no Ultimate, quantia que não é necessária sequer para completar o ranking do evento. Portanto, é plausível afirmar que a extinção dos moscas na principal liga de MMA do planeta é pura e simplesmente uma questão de tempo.

Henry Cejudo
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Henry Cejudo

E isso nos traz de volta à questão dos riscos que Cejudo assume ao entrar em ação no UFC 238 . Além de competir em uma divisão de peso que não é a sua original, o americano terá pela frente um dos lutadores mais empolgantes dos últimos anos no Ultimate. Na melhor fase de sua vida, Marlon Moraes coleciona nocautes e grandes resultados contra os melhores atletas da categoria.

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Talvez por isso, o brasileiro é apontado como favorito nas principais casas de apostas do mundo, conforme as cotações do site ‘Bovada’ indicam. Logo, as chances do americano queridinho da mídia ‘perder tudo’ são grandes. Mas esse é um risco que o campeão resolveu assumir.

Afinal de contas, para Cejudo entrar para a história, é preciso sair da zona de conforto. E no dia 8 de junho, assistiremos a história ser escrita, de uma forma ou de outra.

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