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No comando do Pinheiros, técnico interrompeu período de 13 anos sem títulos ao vencer o campeonato paulista e lidera o NBB

O ano de 2011 foi especial para o treinador Cláudio Mortari, que voltou a aparecer com destaque no basquete nacional no comando do Pinheiros. Ao se sagrar campeão paulista , interrompeu um jejum de títulos na carreira que já durava 13 anos. Além disso, a equipe comandada por ele é líder da atual edição do NBB (Novo Basquete Brasil) , com oito vitórias em nove jogos.

Para Mortari, a boa fase que atravessa com o time da capital paulista o permite se incluir no grupo dos principais técnicos em atividade no país. “Acredito nisso sem falsa modéstia. Estou trabalhando há mais de 30 anos nesse esporte, sempre comandando grandes times e à frente de grandes projetos. Quem me contrata, confia na minha capacidade”, afirma o experiente treinador.

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A carreira na função começou cedo, logo aos 25 anos de idade. Tudo teve início em um campeonato colegial, quando foi chamado por alguns atletas que o conheciam para assumir o posto de treinador da equipe. “Felizmente, fomos campeões. E na decisão, alguns diretores do Palmeiras assistiram ao jogo. Por coincidência, o técnico do time na época tinha saído. Foi aí que surgiu o convite”, conta Mortari.

Título mundial

O período de 13 anos que atravessou recentemente sem conquistar um campeonato sequer se contrapõe ao currículo recheado de vitórias que construiu nas últimas décadas. Durante a trajetória profissional, ganhou cinco títulos nacionais (1977, 1978, 1979, 1983 e 1985) e dois sul-americanos (1978 e 1979). Mas nenhum deles foi tão importante quanto o Mundial Interclubes de 1979, à frente do Sírio.

Naquela oportunidade, o time comandado por Mortari contava com alguns nomes que viriam a constar entre os principais jogadores da história do basquete nacional. Atletas como Oscar Schmidt, Marcel, Marquinhos, Marcelo Vido, Carioquinha e Eduardo Agra, todos com passagem pela seleção brasileira. Na decisão do Mundial, realizada no Ginásio do Ibirapuera, o Sírio venceu o Bosna Sarajevo, que pertencia à antiga Iugoslávia.

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“Esse título representa muito para mim até hoje”, afirma Mortari. “O Sírio é o único time brasileiro que possui esta conquista, e ela é muito importante em função dos atletas que fizeram parte daquela equipe. São nomes que marcaram presença no basquete brasileiro e que tiveram uma trajetória muito importante. Era uma grande equipe, que contava com jogadores excelentes. Além disso, todos tinham um foco em comum. O trabalho da diretoria, dos atletas e da comissão técnica foi todo voltado para isso. O Sírio conseguiu esse título porque o perseguiu por muito tempo.”

O Mundial Interclubes abriu as portas da seleção brasileira ao treinador. Ele assumiu a equipe nacional em 1980, antes do Pré-Olímpico realizado em Porto Rico, com o objetivo de conquistar uma vaga às Olimpíadas. A classificação foi alcançada e Mortari comandou o Brasil ao quinto lugar nos Jogos daquele ano, realizados em Moscou.

Cláudio Mortari chegou a comandar a seleção brasileira masculina nas Olimpíadas de Moscou-1980
Divulgação
Cláudio Mortari chegou a comandar a seleção brasileira masculina nas Olimpíadas de Moscou-1980


A passagem pela seleção, no entanto, foi curta. Ele deixou o cargo antes do Mundial de 1982, substituído por Edvar Simões, e voltou a atuar em clubes. E, por muito pouco, não mudou de esporte em 1984. “Fiz o curso para virar técnico de futebol e a coisa repercutiu bastante na época. Cheguei a receber um convite do Marco Polo Del Nero, que era diretor do Palmeiras. Mas na época, não me considerei apto para isso e acabou não acontecendo”, revela.

Passados tantos anos, a sede por continuar somando títulos é tão grande que Mortari ainda não se imagina aposentado. “O ser humano é insaciável, está sempre atrás de conquistas. É essa adrenalina que nos motiva a seguir na carreira. O dia que não estiver mais vivendo isso, eu paro”, afirma.