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Cansados do tratamento recebido da CBB, que acusam de descaso, dirigentes, jogadoras e técnicos propõem formação de colegiado para decidir sobre convocação e planejamento

Gilmara, do Corinthians/Americana, marcada por Santo André: boicote à seleção
Roberta Rodrigues/Divulgação
Gilmara, do Corinthians/Americana, marcada por Santo André: boicote à seleção

Os seis clubes que disputam a Liga de Basquete Feminino (LBF) decidiram se rebelar contra a direção da Confederação Brasileira de Basquete (CBB). A ideia é que eles assumam a gestão da seleção feminina, passando a decidir sobre convocação, planejamento de amistosos e competições. A seleção seria assumida por um colegiado de treinadores. O movimento é encabeçado por Ricardo Molina, gestor do Corinthians/Americana, e por Antonio Carlos Vendramini, treinador da equipe. Se a pauta de reivindicações não for atendida, os clubes não vão liberar suas atletas para treinos e amistosos da seleção.

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A CBB publicou em seu site, nesta quarta-feira, a informação de que uma reunião está convocada para a próxima quinta-feira, na Universidade Estácio de Sá, no Rio. Foram chamados diretores, treinadores e atletas das seis equipes, um representante da LBF, um representante da Liga Nacional de Basquete (que tem parceria com a LBF), um do Ministério do Esporte, um do Comitê Olímpico Brasileiro, um da Associação de Atletas Profissionais de Basquetebol do Brasil (AAPB), um da Associação de Treinadores de Basquete, e representantes das três federações estaduais que têm clubes na Liga (São Paulo, Maranhão e Pernambuco).

Vendramini se diz cansado de
William Lucas/inovafoto
Vendramini se diz cansado de "descaso" da CBB

Vendramini diz que essa reunião já havia sido marcada pela CBB. "Esse encontro não tem nada a ver com a nossa pauta de reivindicações. Além disso, temos, nessa data, uma reunião do Conselho da LBF. Portanto, é provável que não vá ninguém".
O estopim do movimento, segundo Vendramini, foi o evento de lançamento da temporada 2015/16 da LBF, na quinta-feira da semana passada, no Corinthians. O treinador, em entrevista, queixou-se de que não havia nenhum representante da CBB presente, ao contrário do que ocorre no lançamento das competições masculinas. "O Vanderlei (Mazzuchini, diretor técnico das seleções) me ligou à noite, dizendo que não pôde estar presente, porque teve que ir a Brasília para tentar liberar dinheiro no Ministério do Esporte. Mas para cima de mim não cola. Isso não é justificativa. Estou no basquete há muito tempo e acho que isso é descaso, mesmo", diz o treinador.

Carlos Nunes, presidente da CBB: como sempre, nenhuma palavra a respeito da crise
Divulgação/CBB
Carlos Nunes, presidente da CBB: como sempre, nenhuma palavra a respeito da crise

Vendramini garante que os clubes estão unidos e não vão ceder. "Isso é um pacto, é uma coisa fechada. As jogadoras só vão atender às convocações de competições oficiais, porque a Lei da Fiba (Federação Internacional de Basquete) as obriga. Mas vão ignorar amistosos e eventos-teste. Se a CBB não nos levar a sério, desta vez vai se surpreender", ameaça.

Procurada pela reportagem do iG , a assessoria de imprensa da CBB disse que a entidade não vai se pronunciar oficialmente. 

Segundo Vendramini, o movimento nasce de uma necessidade do basquete feminino. "Estamos sentindo na carne. Sempre que buscamos uma parceria ou patrocinadores, recebemos a resposta de que o basquete feminino não traz nenhum retorno de mídia. No ano passado, tivemos dez clubes na Liga. Este ano, são seis. No ano que vem, talvez teremos três, e depois acabará".

Parte da indignação está voltada para o técnico da seleção feminina, Luiz Zanon. "Ele não acompanha nenhum jogo da Liga. Nunca nenhum clube recebe um contato para saber como estão as jogadoras no aspecto físico ou no técnico. É descaso total".

No Mundial feminino de 2014, na Turquia, o Brasil ficou em 11º lugar. Na Copa América, a seleção brasileira perdeu a decisão do bronze para a Argentina, historicamente saco de pancadas do basquete brasileiro, por 66 a 59. 

"É claro que não vamos revolucionar o basquete feminino com trabalho de oito meses até a Olimpíada. Mas ao menos queremos representá-lo dignamente", diz Vendramini. 


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