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Segundo reportagem, Carlos Nunes utilizou verba da entidade para pagar contas de restaurantes caros e compras de roupas

Carlos Nunes, presidente da CBB
Divulgação/CBB
Carlos Nunes, presidente da CBB

Reportagem publicada pelo portal UOL denuncia que o presidente da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), Carlos Nunes cobriu gastos pessoais, como várias passagens aéreas, compras de roupas e acessórios para sua mulher e contas de restaurantes caríssimos com o cartão corporativo da presidência da CBB. No roteiro do dirigente constam passagens por Madri, Paris e Cancún, por exemplo.

O autor da matéria é o jornalista Lúcio de Castro, o mesmo que denunciou irregularidades na Confederação Brasileira de Vôlei que levaram o Banco do Brasil, patrocinador da entidade, a suspender o desembolso das verbas do contrato.

Castro constatou diversos gastos indevidos cobertos pelo cartão corporativo, como o de um suéter e um cinto, em Madri, em 2009. No mesmo ano, Carlos Nunes e sua mulher, Clarice Garbi, fizeram uma refeição no badalado restaurante 58 Tour Eiffel, em Paris. A conta foi de 417 euros, o que corresponde hoje a aproximadamente R$ 1700,00.

A reportagem diz que esses gastos estão incluídos numa soma de R$ 4 milhões que é cobrada pela Eletrobrás, ex-patrocinadora da entidade, na Justiça. A empresa alega que esse montante foi gasto irregulamente. Castro aponta que despesas no valor de R$ 2.308.235,25 foram recusadas, na prestação de contas da CBB, pela Eletrobrás.
Nota oficial emitida pela CBB contesta a reportagem, dizendo que não faz parte da discussão judicial o uso de recursos públicos em despesas pessoais.

A Associação dos Atletas Profissionais de Basquetebol do Brasil (AAPB), presidida pelo ala/pivô Guilherme Giovannoni, da seleção brasileira, também se pronunciou a respeito do caso, por meio de comunicado oficial. A entidade repudia os atos do presidente da CBB, Carlos Nunes, mas recomenda cautela, observando que as denúncias ainda não foram confirmadas ou apuradas por órgãos oficiais.

Leia a nota oficial da CBB:
NOTA DE ESCLARECIMENTO
A Confederação Brasileira de Basketball vem a público comentar mais uma matéria veiculada por um determinado jornalista com ilações, suposições e pretensas informações de uso indevido de recursos públicos, por meio de custeio de despesas pessoais. As premissas utilizadas para elaboração de mais uma matéria contra a administração da CBB são propositadamente equivocadas.
O objetivo da matéria, claramente, é o de conduzir a opinião pública ao entendimento errôneo dos fatos. Começa com insinuação de que a ação movida pela Eletrobras contra a CBB, que ainda tramita na justiça, teria a intenção de reaver os valores citados como indevidos. A verdade é que a ação judicial tem por base um contrato específico (muito diferente do contrato originário de patrocínio encerrado em 2012), onde nenhuma daquelas despesas citadas se insere nas prestações de contas. A discussão judicial em curso não aborda uso de recursos públicos em custeio de despesas pessoais, mas aborda um outro campo de raciocínio sobre o que são ou não despesas amparadas pelo contrato, embora todas as despesas tenham sido contratadas para o custeio das atividades estatutárias da CBB. Esse contrato em debate judicial foi celebrado sobre circunstâncias excepcionais, que explicam as dúvidas apresentadas ao judiciário, onde a CBB está promovendo sua defesa e inclusive obteve liminar em ação judicial própria para obstar a Eletrobras de incluir a CBB em cadastro de inadimplente.
A importância de se destacar a forma de divulgação da matéria, é que evidencia a linha sensacionalista de conduta adotada, que é a inegável intenção de distorcer os fatos para conduzir e influenciar a opinião pública, afastando-se do princípio fundamental dos meios de comunicação, que é o de informar. Essa postura também se confirma com a seleção de despesas para a composição da matéria, sem informar o contexto completo, porque, desta forma, não atingira seus objetivos, sejam eles quais forem. Pode-se observar que a matéria, como em um roteiro de filme, procura criar para os espectadores uma história a ser seguida. Esse é o capítulo VIAGENS, onde quem o dirigiu optou por destacar aquelas partes que melhor contam a história escolhida. Infelizmente esquece de mencionar que a CBB realizou ou participou de 311 competições no período, omitindo um fato que pode dar dimensão aos que foram destacados. Deverão vir outros capítulos, com a mesma linha mendaz de jornalismo, e que encontrará a devida resposta nas instâncias próprias.
Objetivamente, não houve nenhum gasto de recursos públicos com despesas pessoais ou indevidas da Presidência, visto que, no curso do contrato em que aquelas citadas despesas ocorreram, a CBB entregou, periodicamente, toda a documentação de movimentação para a Eletrobras, que fez as devidas análises. Em alguns casos, a Eletrobras glosou despesas, retirando-as das prestações de contas. Assim, evidencia-se que não havia intenção de dolo, porque nem a CBB ocultou gastos e nem a Eletrobras deixou de apreciá-los, fazendo com que ambas respeitassem os princípios que norteiam o uso de verbas públicas.
As despesas que não podem ser custeadas com recursos públicos são pagas à conta de recursos privados e próprios. A CBB submete todas as suas movimentações, de qualquer natureza, à apreciação de auditoria independente e aos controles estatutários. Todas as movimentações indevidas são motivo de retificações e reparos. Porém é compreensível que, retirando-se ou omitindo-se esse contexto, que a compreensão dos fatos seja dirigida.
Finalmente, nos resta lamentar e repudiar a forma de jornalismo invasivo de redes sociais, tendencioso e sensacionalista para atingir e repercutir sobre a moral de familiares e dos dirigentes da CBB.

Leia o comunicado da Associação dos Atletas Profissionais de Basquetebol do Brasil (AAPB):
Em atenção às graves denúncias veiculadas nesta data (25 de novembro) em relação ao presidente da Confederação Brasileira de Basketball (CBB), Senhor Carlos Nunes, sobre suposta utilização das verbas da Confederação Brasileira de Basketball para fins pessoais, a Associação dos Atletas Profissionais de Basquetebol do Brasil (AAPB) vem a público expressar o seu repúdio a qualquer ato praticado pelos dirigentes que sejam contrários aos interesses da modalidade e não vislumbre somente o seu desenvolvimento.
A matéria de cunho jornalístico apresenta detalhes dos supostos desvios de finalidade no emprego da utilização dos recursos da CBB, mas ainda não indica decisões judiciais que confirmem a ilicitude dos atos praticados, razão pela qual o presente repúdio é acompanhado de cautela, para que se tenha um conhecimento mais profundo e técnico das alegações.
Por fim, como entidade representativa dos atletas, a AAPB informa que levará o assunto aos atletas filiados, para eventual adoção de outras medidas no sentido de exigir e/ou contribuir com a regular apuração dos fatos alegados.

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