Tamanho do texto

Schuye LaRue já foi considerada uma das grandes promessas das quadras americanas. Diagnosticada com esquizofrenia, hoje não se recorda da última vez que disputou uma partida

Schuye LaRue, ex-jogadora e agora vivendo nas ruas da capital americana
Reprodução
Schuye LaRue, ex-jogadora e agora vivendo nas ruas da capital americana


Schuye LaRue já foi uma promissora jogadora de basquete nos Estados Unidos. Quando deixou a Universidade de Virginia, foi selecionada pelo Los Angeles Sparks em 2003, para jogar na WNBA. Hoje, 12 anos depois, ela vive nas ruas de Washington, sem um lar, dependendo da ajuda de transeuntes ou assistentes sociais. 

O diário "Washington Post" contou nesta quarta-feira a triste história da ex-atleta, diagnosticada com esquizofrenia. É uma história a qual a treinadora Debbie Ryan e suas ex-companheiras de equipe jamais poderiam acreditar se lhes fosse contada ao final da temporada 2000-01, quando LaRue despontava como uma estrela. 

Leia também: O que esperar dos brasileiros na temporada 2015-16 da NBA?

Naquele ano, terminando sua segunda campanha pela NCAA, aquela ala de 1,91m de altura e apenas 20 anos havia liderado Virginia em pontos, rebotes, tocos e aproveitamento nos arremessos. Foi tão bem que apareceu entre as indicadas a melhor jogadora universitária dos Estados Unidos, em meio a concorrentes até dois anos mais velhas. 

Debbie Ryan, porém, já seria surpreendida semanas depois do final da temporada, quando LaRue lhe informou que não jogaria mais pelos Cavalis. Ela havia decidido dar sequência a sua carreira no basquete europeu, aceitando uma proposta da Itália para se profissionalizar. Foi quando sua mãe, Barbra, passou a pensar seriamente se a filha não precisava de outro tipo de apoio. 

Schuye LaRue brilhou por dois anos pela Universidade de Virginia
Reprodução
Schuye LaRue brilhou por dois anos pela Universidade de Virginia

"Levou meses para que tivéssemos esse diagnóstico, que foi a razão para a decisão repentina de ela ir para a Itália, e para que nem Debbie Ryan, nem eu pudéssemos entender sua mudança de comportamento", escreveu a mãe em um post no Facebook, depois que o resgate da história de Schuye causar consternação na comunidade do basquete feminino americano.

A passagem pela Europa durou pouco. Quando retornou a Washington, em 2002, sua esquizofrenia foi revelada. Para piorar, porém, na mesma época, o irmão mais jovem da ex-jogadora, Nathaniel Patterson, foi encontrado morto aos 18 anos dentro de um carro, com um tiro na cabeça. Segundo a mãe, foi quando as coisas saíram de controle. 

Ainda assim, ciente dos problemas, tamanho era seu talento que o Los Angeles Sparks usou a 27ª posição do Draft da WNBA, o processo de recrutamento de calouras, em 2003, para selecioná-la. Acreditavam que ela poderia superar essa condição e concretizar seu potencial. 

Convencê-la a se mudar para Los Angeles, todavia, não foi fácil. Foi apenas na terceira tentativa que o clube e seus familiares conseguiram colocá-la em um avião, para se deslocar da Costa Leste dos EUA para a metrópole californiana. Nos primeiros treinos, estavam todos otimistas. Sua capacidade atlética e tenacidade, que se destacavam em partidas universitárias, se manifestavam novamente. 

No entanto, aos poucos, LaRue passou a faltar. A reincidência resultou em uma suspensão. Houve um dia em que ela apareceu no ginásio com metade de sua cabeça raspada. Seu contrato foi rescindido antes mesmo de ela vestir a camisa do time em uma partida oficial da WNBA. 

Quando retornou a Washington, a ex-jogadora viveu um período de melhora, mas esse período também teve curta duração. Em 2006, devido a exigências do trabalho, Barbra levou a família para o condado de Prince George, vizinho à Zona Leste da capital. Seu plano de saúde havia sido alterado,  e ela não conseguiu mais comprar os medicamentos que sua filha necessitava. Seu estado se deteriorou consideravelmente a partir daí. 

Schuye LaRue voltou para Washington, então, mesmo sem um lar. Logo, ganhou uma ficha criminal. Em setembro de 2012, ela foi presa depois de ter agredido uma mulher com um soco na cara. O motivo foi uma simples trombada em uma calçada. Durante o processo do caso, faltou a uma audiência preliminar em janeiro de 2013, sendo novamente detida. Apenas dois meses depois, voltaria à cadeia ao ser flagrada furtando uma loja. 

Entre 2012 e 2014, os registros públicos mostram que ela foi subemtida a sete avaliações psicológicas. Seu diagnóstico também passou a incluir um distúrbio psicótico. Hoje, aos 34 anos, ela é um dos 7 mil sem-teto que vivem na cidade que acolhe Barack Obama na Casa Branca. 

Ex-companheiras do basquete ainda tentam encontrá-la nas ruas do centro. Algumas têm sucesso e conseguem conversar com ela sobre o passado. À reportagem do "Post", entre frases delirantes, ela diz não se recordar da última vez que jogou. Embora admita estar sempre pensando no assunto, enquanto observa alguns dos rachões em parques da cidade. 

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.

    Notícias Recomendadas