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Antes de jogo contra o Pelicans, no Madison Square Garden, Kevin Seraphin foi ao barbeiro. Mais tarde, teve grande atuação e recebeu a bola do jogo das mãos de Carmelo Anthony

O pivô Kevin Seraphin homenageia Paris, brilha em quadra e se emociona
Reprodução
O pivô Kevin Seraphin homenageia Paris, brilha em quadra e se emociona





O pivô Kevin Seraphin, 25  anos, nasceu em Caiena, capital da Guiana Francesa, mas considera Paris seu lar adotivo. De modo que foi difícil para ele se concentrar no compromisso que o New York Knicks, seu clube, tinha contra o New Orleans Pelicans, neste domingo.

Mas o pivô francês não só conseguiu se focar, como foi uma figura fundamental no triunfo do time nova-iorquino por 95 a 87. Sem tirar da cabeça as lembranças da metrópole, abalada por um atentado terrorista sanguinário na sexta-feira. Ele foi para a quadra com uma homenagem à capital desenhada em seu cabelo. O corte especial foi feito na manhã de domingo, em Nova York. "Apenas quis fazer alguma coisa criativa e realmente diferente. Não queria apenas colocar alguma coisa nos meus tênis, ou algo assim. E não tinha tempo para fazer uma tatuagem", disse.

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Em quadra, Seraphin marcou 12 pontos em apenas 14 minutos contra o Pelicans e ainda contribuiu com três rebotes e duas assistências, acertando 6 de 8 arremessos. Para se ter ideia, em seus seis jogos anteriores pela temporada 2015-16 da NBA, o pivô havia somado 10 pontos, 7 rebotes e nenhuma assistência.

O cestinha do Knicks foi o astro Carmelo Anthony, com 29 pontos, além de 13 rebotes. Mas o ala não quis saber de elogios por sua atuação em Nova York. "A bola do jogo vai para Kevin",  afirmou. "Ele mereceu. Ele estava pronto. Foi uma parte muito importante da arrancada que fizemos no segundo tempo. Vê-lo deste jeito, sabendo com o que está lidando emocional e mentalmente, estar preparado quando precisamos dele foi gigante", disse Anthony.

Seraphin agradeceu as palavras do companheiro. "Quando você vê a estrela do time, especialmente um cara como Carmelo, me dar a bola e dizer que era para eu ir para o garrafão, isso te dá confiança", afirmou. 

"Foi realmente duro para mim. Mas chega um ponto em que não podemos ficar assustados e temos de enfrentar isso. Também jogo pelo Knicks. Tenho de ser um profissional, então, basicamente, é seguir trabalhando. É difícil, mas temos de seguir trabalhando."

Sobre a tensão que seus compatriotas e Paris vivem em dias de luto após um ataque terrorista que terminou com pelo menos 129 mortos, o pivô manifestou preocupação sobre o que vem pela frente. "Dá medo de pensar que isso está virando algo muito recorrente. É muito triste, porque se você não se sente seguro no país que ama, tem de deixá-lo. E isso te enche de tristeza", disse o atleta, que vive numa cidade a 45 minutos do centro parisiense, que é onde ele vive durante as férias da liga americana. Seus pais vivem na capital francesa. 

Antes de o jogo começar, a organização do Madison Square Garden apagou as luzes do ginásio e também prestou reverência ao momento triste que vivem os franceses e os parisienses (veja no vídeo acima). Seraphin acompanhou o hino e teve de lutar para segurar as lágrimas. "Queria chorar, mas a câmera estava na minha frente. Aí pensei que não poderia deixar acontecer", disse.

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