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Em entrevista exclusiva ao iG, piloto conta porque mudou de categoria para a edição de 2013 e fala dos detalhes da preparação para o Rally

A partir do dia cinco de janeiro, Jean Azevedo disputará sua 15ª edição do Rally Dakar. E pela 12ª vez nas motos. O piloto volta à categoria que o consagrou (em 2003 terminou na quinta colocação na classificação geral) depois de algumas experiências com os carros. O motivo do retorno? Busca de competitividade.

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Com 38 anos, o experiente piloto ainda tem sede de bons resultados, algo que considerava muito difícil de conseguir em 2013 se continuasse correndo sobre quatro rodas. Em entrevista exclusiva ao iG, Jean Azevedo explicou o motivo da mudança e ainda contou detalhes sobre sua preparação para a prova off-road mais desafiadora do mundo.

Esta edição do Dakar tem início em Lima, no Peru, e termina no dia 20 de janeiro, em Santiago do Chile, depois de passar também por trechos na Argentina. A seguir, confira o bate-papo exclusivo com Jean Azevedo.

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iG: Por que você decidiu deixar os carros e voltar para as motos?
Jean Azevedo: Foram dois motivos principais. Primeiro porque o carro não estaria muito competitivo. Disputar nos carros foi legal para aprender, para ganhar experiência, mas chega uma hora que é preciso brigar por boas colocações. O segundo motivo é que não estamos mais com o patrocínio da Petrobrás. E se com o apoio já teríamos pouca competitividade nos carros, imagina sem. Então como a moto é uma categoria mais barata, que eu já disputei muitos anos, preferi voltar para buscar competitividade novamente.

iG: Acredita que pode brigar pelas primeiras posições?
Jean Azevedo: É difícil afirmar o patamar que eu estou, porque no ano passado eu não competi nas motos, então estou sem saber como está a relação entre eu e os meus adversários. Não sei como estou com relação a eles. Mas estarei competitivo.

iG: Quais serão os trechos mais complicados deste Rally?
Jean Azevedo: Ao contrário do ano passado, vamos começar em Lima. Então o começo do rali vai ser duro, depois ele vai para um trecho também difícil na Argentina e depois a gente segue pra Copiapó, que também é complicado. São as três regiões mais complicadas.

Piloto se prepara para disputar o Rally Dakar nas motos
José Mário Dias/DFotos
Piloto se prepara para disputar o Rally Dakar nas motos

iG: Quais as principais diferenças entre o trajeto na África (onde o rally foi disputado até 2007) e na América do Sul?
Jean Azevedo: Na África o fator psicológico era muito forte, porque a gente estava longe de tudo. Então tinha sempre aquele medo de terrorismo, de assalto. Sempre tinha esse fator psicológico que alterava um pouco a competição. Isso na América do Sul não tem, porque é uma região que não tem grupos terroristas e também porque, em caso de acidente, a gente sempre está perto de alguma grande cidade, que te dá uma boa estrutura de resgate. Na África a gente não tinha isso. Então a parte psicológica na América do Sul é muito mais tranquila.

iG: E na parte técnica?
Jean Azevedo: Em relação à parte técnica, acho que na África era um pouco mais difícil para os pilotos e na América do Sul é mais difícil fisicamente. Então as duas são provas duras, mas acho que na África mais pela parte técnica e na América, pela parte física.

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iG: Como é sua preparação ao longo do ano para o rali?
Jean Azevedo: Fisicamente eu trabalho diariamente na academia e na bike. São cinco, seis horas diárias de parte física de segunda a sexta ou sábado e domingo sempre descanso. Na parte de moto eu treino bastante no deserto. Por exemplo, agora eu tive duas vezes no Atacama.

iG: E de agora até o dia 5, data do início do Dakar, como você se prepara?
Jean Azevedo: De moto eu não ando mais. Eu vou manter a parte física. Já tenho um programa de treinos pra todas as semanas, daí eu dou uma parada no fim do ano pra dar uma descansada e dia dois já começa uma série de trabalhos para fazer para a organização e isso toma muito tempo. Daí fico com a preparação da moto, verificações e partes técnicas até o começo do Rally.

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