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Vice-líder, Razia aposta em título da GP2 para ganhar teste na Fórmula 1

Em entrevista exclusiva, piloto revelou que tem chances de testar por um time da Red Bull se for campeão da categoria de acesso

Mariana Gianjoppe, iG São Paulo |

Foto: Divulgação
Na etapa de Barcelona, Luiz Razia venceu pela segunda vez na temporada da GP2

Vice-líder da temporada da GP2, Luiz Razia só pensa em estar na Fórmula 1 em 2013. Depois de passar pela Virgin e pela Caterham como piloto de testes, o brasileiro não conseguiu espaço na principal categoria do automobilismo em 2012. Porém, com o melhor desempenho de seus quatro anos na GP2 e chances reais na briga pelo título, o piloto de 23 anos começa a chamar atenção até das equipes grandes e busca uma vaga nos testes para jovens no final do ano.

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Depois de terminar a última temporada da GP2 na 12ª colocação com a Caterham, Razia assinou com a terceira pior equipe de 2011, a Arden. No entanto, ele vem surpreendendo e já conquistou duas vitórias e mais dois pódios neste ano, encontrando-se na segunda colocação da tabela, apenas 31 pontos atrás do líder Davide Valsecchi, que corre pela forte DAMS. Em 2012, o baiano também ingressou no programa de jovens talentos da Red Bull, que revelou o bicampeão Sebastian Vettel.

Em entrevista exclusiva ao iG, Razia falou sobre suas chances de chegar ao título da GP2, revelou o objetivo de participar dos testes para jovens pilotos como porta de entrada para a F1 e lamentou a falta de apoio das empresas brasileiras ao automobilismo. Ele ainda comentou sobre a temporada da Fórmula 1 e criticou os pneus Pirelli. Confira a seguir o bate-papo completo.

iG: Seu principal objetivo é estar na Fórmula 1 em 2013, como pretende alcançá-lo?
Razia:
Isso é uma coisa que estamos trabalhando externamente. Assim de pronto ainda não temos nada, é muito difícil, todos os pilotos estão procurando. Mas estou confiando bastante no meu campeonato. No final do ano acontecem os testes para jovens pilotos e acredito que, com um bom resultado na GP2, possa conseguir uma chance inesperada e, a partir daí, tentar uma vaga na F1 para 2013. O dono da Arden é o Christian Horner, chefe de equipe da Red Bull, e ele tem me incentivado bastante para chegar ao final do ano com a taça. Inclusive estivemos juntos em uma reunião nesse mês e ele falou “vamos conseguir isso que as portas vão se abrir”. Creio que, com isso, possa chegar ao final do ano e testar um dos carros que carregam um touro (Red Bull ou Toro Rosso).

iG: O patrocínio tem se mostrado fundamental para um piloto entrar na F1, você já tem algum apoio para ingressar na categoria?
Razia:
Está bastante difícil encontrar patrocínio no Brasil, infelizmente hoje em dia o país tem poucas empresas que investem nas categorias de automobilismo. Hoje o Bruno Senna e o Felipe Nasr tem como patrocinadores o Eike Batista, a Embratel e o Banco do Brasil, mas nós não conseguimos nada ainda. Porém, não vamos deixar de tentar, vamos continuar lutando para conseguir algo que nos permita voltar à F1 no ano que vem.

iG: Você já foi piloto de testes da Virgin e da Caterham, aceitaria voltar para uma equipe nanica ou só fecharia com um time maior?
Razia:
Infelizmente quem não tem dinheiro não tem escolha. Então, se eu tivesse qualquer oportunidade, pegaria. Não vou ficar me limitando porque uma equipe é pequena e outra grande. Quem não tem nada, pega o que tem.

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Foto: Divulgação Com duas vitórias e dois segundos lugares, brasileiro de 23 anos é vice-líder da temporada da GP2

iG: Você já está em sua quarta temporada na GP2, mas nunca havia apresentado um desempenho tão bom, qual seu diferencial neste ano?
Razia:
Várias coisas mudaram. Tem muitas pessoas que começam a culpar os outros: “Eu não ganhei a corrida porque o céu estava escuro, o pneu estava estragado, o engenheiro estava gripado”. Mas eu comecei a trabalhar para assumir a responsabilidade dos meus próprios resultados, não somente na pista, mas pessoalmente também. Comecei a atuar diferente com todos ao meu redor, troquei algumas pessoas que estavam ao meu lado e que talvez me puxassem para baixo. Agora quem está ao meu redor tem uma cabeça bastante positiva. Também tenho treinado bastante e trabalhado o lado psicológico com o pessoal da Red Bull. Além do apoio deles, também estou recebendo total apoio da minha equipe. Melhorei como piloto, como pessoa, melhorei minha atitude e minha confiança, e isso trouxe bastante resultado dentro da pista.

iG: Como funciona o programa de jovens pilotos da Red Bull que você ingressou em 2012?
Razia:
A cada semana, trabalhamos mais ou menos três ou quatro dias na fábrica, fazemos muitas simulações, treinos físicos, e também posso usufruir das informações que eles têm da F1. Sento bastante com alguns engenheiros, inclusive do Vettel e do Webber, analisamos informações das corridas e eles também dão algumas dicas e direções para o nosso próprio fim de semana.

iG: A próxima etapa da GP2 será em Valência, junto com a da F1. Quais são suas expectativas?
Razia:
Chegamos todo fim de semana com vontade de vencer, nosso objetivo é sempre esse. E não é ser muito otimista, porque a GP2 é uma categoria em que todas as equipes têm condições de ganhar, já que os carros são parecidos. Mas há variações que podem determinar se o carro vai andar bem ou não, de acordo com o acerto que você escolhe, e estamos trabalhando ao máximo para chegar lá com o carro bastante acertado para as condições da pista, climáticas e dos pneus. Estamos revisando tudo o que fizemos até aqui e nos preparando bastante para essa etapa, já que chegaremos à metade do campeonato. Nosso objetivo em Valência é fazer a pole e vencer.

iG: Ainda dá para alcançar o líder Davide Valsecchi, da DAMS?
Razia:
Com certeza. O Valsecchi está 31 pontos a nossa frente e se fizermos a pole, a volta mais rápida e vencermos a corrida já ganhamos 31 pontos. Portanto, se acontecer algo inesperado, ou mesmo se ele chegar em segundo, já são 13 pontos que ele perde. Mas independentemente do que ele faça, tenho que me preocupar com a minha equipe e com o meu carro, e continuar demonstrando um bom ritmo. Essa etapa é a sexta da temporada, já fizemos 110 pontos até agora, mas ainda há a possibilidade de marcarmos outros 150 pontos no resto do campeonato. Então ainda é cedo para prever alguma coisa, mas está tudo aberto e vamos fazer o nosso melhor.

iG: O que pode ser decisivo no final do campeonato?
Razia:
A constância é bastante importante. Em Mônaco, por uma má sorte na primeira corrida, ficamos fora dos pontos. Estava em sétimo quando meus pneus furaram por destroços na pista, uma coisa que não podemos evitar, uma casualidade, mas que infelizmente aconteceu. Ao invés de eu ter saído treze pontos atrás do Valsecchi, sai com uma desvantagem de 31 pontos, o que mostra que ser constante durante o campeonato vai ser chave para quando chegarmos ao final do ano e formos calcular quem tem mais pontos.

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Foto: Divulgação Razia já começou o ano bem, com vitória na primeira prova da Malásia

iG: Com tanto equilíbrio nesta temporada, você acha que a F1 está parecendo a GP2?
Razia:
A cara da F1 de 2011 não é a de 2012. Vettel chegou ao GP do Canadá do ano passado com 58 pontos de vantagem para o segundo colocado do campeonato, neste ano, a diferença do líder para o 12º colocado era de 57 pontos. Estamos vendo um campeonato muito mais equilibrado na F1 devido aos pneus, que realmente são muito difíceis de trabalhar. Há muitos detalhes durantes as corridas que precisam ser analisados com calma para não se perder o fio da meada, e isso deixa o campeonato muito parecido com o da GP2, onde todos os carros são semelhantes e é impossível prever quem vai ganhar no fim de semana.

iG: Você concorda com a reclamação de alguns pilotos e dirigentes de que os pneus Pirelli transformaram a F1 em uma loteria?
Razia:
Essa é uma discussão que pode levar dias. Como piloto, o pneu Pirelli não é dos melhores para se ter o prazer de guiar, porque dura poucas voltas. Com o Bridgestone, por exemplo, que já usei na GP2, toda volta na corrida você podia realmente levar o carro ao limite, sem se preocupar muito com o desgaste dos compostos. No entanto, não temos o Bridgestone e se continuarmos reclamando, vamos ficar reclamando o ano inteiro e nada vai mudar. Então temos que nos adaptar aos pneus Pirelli, nos conscientizar de que isso é o que temos e tentar tirar o máximo dos compostos. Se um dia mudar, ótimo, mas por enquanto temos o Pirelli e temos que trabalhar ao máximo nele.

iG: Tem alguma aposta para o título deste Mundial?
Razia:
Acho que o Lewis Hamilton vai começar a mostrar os resultados que deve. Ele está bastante focado, só precisa um pouco mais da ajuda da McLaren que vai conseguir demonstrar bastante força durante o ano. Mas não podemos descartar o Fernando Alonso, Vettel e até o Mark Webber.

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