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Engenheiro, indicado por Alonso, conseguiu os melhores resultados da escuderia após assumir papel de comando

A vitória de Fernando Alonso no Grande Prêmio da Grã-Bretanha confirmou a evolução que a Ferrari apresentou nas últimas corridas. A escuderia começou mal a temporada e, com o triunfo do espanhol, encerrou um tabu de dez corridas sem vitória . Coincidência ou não, os resultados melhoraram quando Pat Fry assumiu um papel de destaque no corpo técnico da equipe italiana.

Ao centro, Pat Fry observa o trabalho dos mecânicos da Ferrari. O desempenho da escuderia melhorou quando o engenheiro assumiu papel de destaque
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Ao centro, Pat Fry observa o trabalho dos mecânicos da Ferrari. O desempenho da escuderia melhorou quando o engenheiro assumiu papel de destaque

Após o afastamento de Aldo Costa , ex-diretor técnico da Ferrari, Fry passou a ser responsável pelo chassi do carro em um esquema em que três engenheiros respondem diretamente a Stefano Domenicali, chefe da equipe. Luca Marmorini é responsável pelo motor e pela parte elétrica, enquanto Corrado Lanzone se concentra na produção. Mas é Fry quem tem o papel mais importante no desempenho do bólido da escuderia.

Costa deixou a Ferrari após o Grande Prêmio da Espanha, quinta etapa da temporada. Com o ex-dirigente à frente da equipe, a escuderia havia somado 75 pontos em cinco corridas. Com Fry, o time já tem 164 pontos – conquistou 89 em quatro provas com o engenheiro no comando.

Individualmente, os resultados dos pilotos também são melhores depois que Fry passou para o comando. O melhor grid de Felipe Massa foi o terceiro lugar que conquistou no Canadá e seu melhor resultado no ano, a quinta colocação, se repetiu três vezes – duas após a saída de Costa. Assim como o brasileiro, Alonso também conseguiu seu melhor grid em Montreal – foi segundo – e, em Silverstone, com a vitória, obteve o principal resultado da Ferrari neste ano.

Desde cedo, ao lado dos grandes

Formado em engenharia de computação e em engenharia elétrica, Fry desenvolveu a habilidade de criar suspensão para motocicletas, o que virou um hobbie para o britânico. A diversão virou obrigação em 1987, quando foi contratado pela Benneton para trabalhar na suspensão ativa dos carros da escuderia. Na equipe, viu a estreia de Michael Schumacher, em 1991.

No ano seguinte, Fry começou a ganhar destaque e foi promovido a engenheiro de corrida de Martin Brundle, que terminou a temporada na sexta colocação. O trabalho do britânico chamou a atenção da McLaren, que, por indicação do ex-colega de Benneton Giorgio Ascanelli, contratou-o para a temporada de 1993.

Ao mudar-se para uma escuderia maior, no entanto, Fry teria de lutar novamente por seu espaço. O engenheiro começou na mesma função em que deu seus primeiros passos na Benneton, cuidando da suspensão ativa. Logo se destacou e foi ganhando posições cada vez mais importantes na equipe técnica. Até que, em 1995, foi promovido a engenheiro de corrida de Mika Hakkinen, no ano em que o finlandês acabou o campeonato em sétimo.

Entre 1997 e 2000, após exercer função na equipe de testes da McLaren, Fry passou a ser engenheiro de corrida de David Coulthard. Juntos, os dois britânicos conquistaram três terceiros e um quarto lugar no campeonato – trabalho bom o suficiente para que o engenheiro subisse ainda mais na hierarquia da escuderia.

A partir de 2001, Fry passou a coordenar a equipe técnica da McLaren. Foi responsável direto pelo desenvolvimento do MP4-16, do MP4-20 e do MP4-23, carros vice-campeões mundiais de construtores em 2001, 2005 e 2008, respectivamente. O último destes bólidos garantiu a Lewis Hamilton o título do mundial de pilotos. O engenheiro trabalhou ainda com Alonso em 2007, ano em que a equipe britânica foi excluída do campeonato de construtores por conta do escândalo de espionagem com a Ferrari .

Foi o espanhol que indicou Fry para a Ferrari. O engenheiro chegou à equipe no meio da temporada 2010, a princípio como assistente de Aldo Costa. Após a última corrida do ano passado, quando Alonso perdeu o título para Sebastian Vettel, Chris Dyer foi afastado do cargo de engenheiro de pista, cargo herdado por Fry. Agora, com a saída de Costa, o piloto espanhol voltou a fazer lobby pela promoção do britânico. E deu certo. A seguir, veja o desempenho dos pilotos da Ferrari antes e depois de Fry.

Fernando Alonso Felipe Massa
Melhor grid antes de Fry
Melhor grid com Fry
Melhor colocação antes de Fry
Melhor colocação com Fry