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Curitiba, Foz do Iguaçu e Porto Alegre disputam o direito de colocar o país pela primeira vez no roteiro da principal corrida off-road do mundo

As duplas Reinaldo Varela/Gustavo Gugelmin (à esquerda) e Guilherme Spinelli/Youssef Haddad, que disputarão o Dakar 2014
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As duplas Reinaldo Varela/Gustavo Gugelmin (à esquerda) e Guilherme Spinelli/Youssef Haddad, que disputarão o Dakar 2014

Uma alternativa que deu certo. Assim pode ser resumida a mudança do Rali Dakar, a mais tradicional competição off-road do mundo, para a América do Sul, por questões de segurança, a partir de 2009. Uma troca benéfica também aos pilotos da região, pois deixou a prova mais acessível do que no tempo em que carros, motos e caminhões saíam da Europa em direção à África. Mesmo assim, ainda faltava incluir o Brasil nesse roteiro, o que pode acontecer a partir do ano que vem.

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Três cidades brasileiras - Curitiba, Foz do Iguaçu, ambas no Paraná, e Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul - disputam o direito de abrigar a largada da edição de 2015 do Dakar. Seria a primeira vez que o país faria parte do roteiro da prova. Além de agregar um mercado importante no segmento off-road, a organização pretende fincar de vez suas raízes no continente.

Criada em 1979, a prova tem como roteiro tradicional a largada em Paris (FRA) e a chegada em Dacar, no Senegal. No decorrer dos anos a rota sofreu adaptações, mas a questão da segurança passou a interferir na competição, até que a edição de 2008 foi cancelada por conta de ameaças de terrorismo e da morte de turistas franceses na Mauritânia como uma forma de "alerta" aos organizadores. A América do Sul surgiu como uma opção para garantir a sobrevivência da marca Dakar. E deu certo.

Com passagens por Argentina, Chile e Peru, o Dakar ganhou aprovação popular e de competidores. Fortaleceu inclusive o Rali dos Sertões, que passou a ser usado por pilotos de elite como treino de luxo. Mas o Brasil é visto como um mercado primordial para consolidar a competição na América do Sul, conforme pessoas ligadas ao evento confirmaram ao iG Esporte . Em entrevista à revista Motociclismo no fim de outubro, Etienne Lavigne, diretor de prova do Dakar, disse que o país está em evidência, por isso a necessidade de incluí-lo no roteiro.

"Uma coisa nítida é a estrutura que a América do Sul proporciona. Para as equipes de apoio, as viagens entre as cidades são em estradas boas. Ficou um rali mais simples em termos de estrutura. Na parte técnica não mudou. Aqui (na América) tem mais diversidade de piso do que na África, em que o deserto predominava. É um conjunto de coisas, além da aceitação do público e do crescimento da participação de sul-americanos que consolidaram o Dakar aqui", atestou o piloto Guilherme Spinelli, diretor de competições e piloto da equipe Mitsubishi Petrobras.

Enquanto não utiliza as trilhas brasileiras, o Dakar segue em contagem regressiva para a edição do ano que vem, com largada em 4 de janeiro em Rosário, na Argentina, e chegada em Valparaíso, no litoral do Chile. Serão 13 etapas, uma a menos do que em 2013, mas com percurso maior: 9.374 quilômetros, sendo 5.522 de especiais (trechos cronometrados). A equipe Mitsubishi Petrobras terá dois carros na prova. Atual vice-campeão do Rali dos Sertões, Spinelli mantém a parceria com o navegador Youssef Haddad. O outro veículo será conduzido pela dupla Reinaldo Varela/Gustavo Gugelmin.