Rodízio no Corinthians gera disputa interna em diversas posições
Fábio Lázaro
Rodízio no Corinthians gera disputa interna em diversas posições


O torcedor do Corinthians que gosta de saber de cor do 1 ao 11 na escalação do clube vai torcer muito o nariz com o seu time nesta temporada.

Isso porque o técnico Vítor Pereira já deixou claro que adotará o esquema de rodízio entre os jogos , justamente por entender as necessidades físicas do elenco para uma temporada que tem média de um jogo a cada quatro dias.

Entre a vitória por 3 a 1 sobre o Botafogo, no Rio de Janeiro , na estreia do Brasileirão, no último domingo (10), e o triunfo por 1 a 0 diante do Deportivo Cali, da Colômbia, pela Libertadores, na última terça-feira (13), foram cinco mudanças, sendo quatro por aspectos técnicos e físico. Somente a entrada de Fagner, que é titular da função, mas estava suspenso contra o Bota, fugiu disso.

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No entanto, não é porque a grande maioria do elenco entrará em campo durante a temporada que não existirá disputas internas por posição, muito pelo contrário. A chamada ‘dor de cabeça boa’ de Vítor Pereira ficará entre distribuir o ‘filé mignon’ e as ‘sobras’ entre os seus jogadores.

Partidas de Libertadores, Copa do Brasil e clássicos no Brasileirão tendem a ser mais chamativos para os atletas do que um jogo de pontos corridos em um sábado a noite diante de um adversário que briga contra o rebaixamento.

E jogará essas partidas mais atrativas justamente quem estiver melhor nos aspectos físico e técnico física e tecnicamente.

E tudo isso tem os seus pontos positivos e negativos, já que está claro que, pelo menos nesse primeiro momento, VP não dividirá o time em dois.

Com isso, o entrosamento pode ser comprometido, já que o tempo de treinamento entre os jogos é curto. Por outro lado, o Timão terá sempre atletas ganhando chances de mostrar o seu futebol e, dependendo do rendimento do ‘primeiro escalão’, pedir passagem.

Dentro desse cenário, veja como se configura as disputas interna por setores no Corinthians.

DEFESA

No gol, Cássio segue soberano. Ainda que tenha sido o principal alvo de questionamento dos torcedores nos recentes protestos contra o elenco corintiano, e que essas críticas não venham de hoje, a resposta em campo já foi dada pelo camisa 12 com uma atuação fundamental contra o Deportivo Cali, na última partida. Além disso, o atleta costuma crescer em grandes jogos.

A fase do arqueiro está longe de ser a mesma dos seus primeiros anos de Timão, mas ele ainda é o cara da posição no clube na única função onde o ideal é que se jogue o máximo de partidas possíveis, já que o goleiro sente o ritmo de jogo.

Carlos Miguel, Ivan e Matheus Donelli têm revesado o espaço no banco. A tendência é que o segundo, com o tempo, desponte como um substituto natural de Cássio, que tem contrato com o clube do Parque São Jorge até o fim do ano que vem.

Nas laterais, a situação começa a ficar mais interessante.

Fagner era soberano na posição, mas agora vê a sombra do português Rafael Ramos, que chegou no clube a pedido do Vítor Pereira. Caso role o revezamento entre competições, Ramos deve jogar mais o Brasileiro e a Copa do Brasil, já que na Libertadores o jogador poderá ser inscrito apenas no mata-mata.

João Pedro, que não se enquadrou tecnicamente para ser o homem a comprometer a titularidade de Fagner, tem contrato de empréstimo pelo Porto, de Portugal, até junho, e será devolvido aos Dragões no fim do período.

Já na esquerda, o que existe no momento é uma passagem de bastão.

Fábio Santos tem 36 anos e já cogita se aposentar até o fim deste ano, quando o seu vínculo com o Corinthians terminará. Lucas Piton tem 21, desponta há pelo menos dois anos como revelação corintiana, mas tem contra si a queda de rendimento em jogos grandes.

Bruno Melo corre por fora. Nos treinamentos, o jogador costuma trabalhar em um esquema onde joga como lateral-esquerdo, mas com pouca liberdade ofensiva, se tornando uma espécie de zagueiro pelo lado canhoto, liberando Fagner para atacar. Essa estratégia, no entanto, ainda não foi adotada por Vítor Pereira nos jogos.

Na zaga, os quatro da posição devem rodar bastante.

Gil mostra comprometimento físico, mas tem a sua experiência a favor. O camisa 4 costuma a crescer em jogos grandes e se for poupado constantemente no Brasileirão pode focar apenas em jogos mata-mata, sendo muito útil ao Corinthians.

Raul Gustavo agrada muito Vítor Pereira e tende aos poucos ganhar espaço no lado esquerdo da zaga, até pela sua capacidade de fazer o ala pelo lado canhoto na saída de bola, quando o primeiro volante se posiciona entre os zagueiros. Essa ideia libera o lateral-direito para a criação ofensiva.

Já João Victor não vive boa fase. Após um 2021 muito bom, conquistando a titularidade no Timão, após empréstimos para Inter de Limeira e Atlético-GO, o jogador começou 2022 mal, com muitas falhas, e grande parte delas decidindo jogos grandes contra o Timão.

Robson Bambu, que tem contrato de empréstimo até o fim da temporada, foi muito bem nas oportunidades que foi exigido, e tem na juventude um trunfo em relação a Gil. Caso o mau momento de João Victor persista, o defensor que pertence ao Nice pode despontar no time corintiano.

MEIO-CAMPO

O meio-campo é onde tudo acontece no Corinthians, mas já está claro para Vítor Pereira que é essencial uma mescla entre jogadores jovens e mais velhos nesse setor.

Uma escalação com Giuliano, Paulinho, Renato Augusto e Willian, por exemplo, compromete demais fisicamente.

Além disso, dois atletas com características de organização central e armação, como Giuliano e Renato, têm dificuldades em jogar juntos e podem se anular.

Paulinho tem se mostrado um tanto quanto perdido no sistema de jogo de Vítor Pereira, mas tem a chegada por trás única que pode definir jogos.

Willian é o único entre os ‘trintões’ que tem corrido como um garoto, atuando aberto pelo lado esquerdo, mas auxiliando muito a armação corintiana no meio-campo. No entanto, entre os mais veteranos é o que mais sofreu com a parte física desde a sua chegada, no segundo semestre do ano passado. Com isso, é importante ter cautela em relação até onde esse vigor físico do camisa 10 chegará.

Para a saída de bola, o Corinthians tem Cantillo, Du Queiroz e Maycon. Xavier é uma alternativa só na necessidade do Timão se defender, mas será muito mais circunstancial do que uma opção de Vítor Pereira, que gosta de um estilo de jogo com mais retenção de bola e verticalidade, visando o ataque.

Do trio, Cantillo é o que tem a melhor capacidade de encurtar o processo ofensivo, pois é expert em lançamentos longos. Du é o que melhor entendeu a condição de primeiro volante, ainda que peque na combatividade. A prata da casa tem vigor físico de sobra para correr atrás dos adversários, distribuir a bola e aparecer por trás dos meias em frações de segundos. Já Maycon é o mais habilidoso, pode ajudar muito no início das construções corintianas, mas é uma incógnita no aspecto defensivo.

ATAQUE

R
óger Guedes não é centroavante. E o próprio Vítor Pereira já entendeu isso.

Quando escalado como último homem do time, o camisa 9 se mostra disperso, se distancia da área e faz movimentos de corrida quase sempre em diagonal, caindo para os lados, e não atacando os corredores entre os zagueiros.

No entanto, é fato que Guedes é o mais habilidoso entre os atacantes corintianos, por isso as vezes há certa ‘insistência’ em coloca-lo no campo, mesmo em uma posição na qual ele não rende tanto.

Jô é o verdadeiro centroavante corintiano, mas chegou a um ponto da carreira onde o corpo não responde mais a cabeça e até mesmo a força de vontade que em certos jogos ele demonstra, saindo da área, servindo os companheiros e pedindo bola.

Há um desejo gigante por parte da comissão técnica em recuperar a boca fase do camisa 77, que é um dos melhores no futebol brasileiro a prender a marcação e fazer o pivô. Ótimo para um time de pontas velozes, que pode apostar em jogadas aéreas, e que ao mesmo tempo pode criar por dentro, com os seus meias habilidosos, e necessita de força na frente para atacar os espaços, tanto de forma individual, levando a marcação e fazendo gol, quanto segurando a defesa adversária para abrir espaços para chegadas por trás e pelos lados em melhor condições de finalização.

E a construção ofensiva de Vítor Pereira já mostrou que também passará pela velocidade nas pontas. Willian é o cara do lado esquerdo, com quatro atletas ‘se matando’ pelo setor oposto: Adson, Gustavo Mantuan, Gustavo Mosquito e Róger Guedes.

Com certeza dois entre os quatro podem jogar juntos nas circunstâncias em que Willian for preservado.

Juventude, força física, ótima condição no um contra um e velocidade são características que todos esses jogadores possuem.

Mosquito era o preferido. Fez bons jogos, mas caiu de rendimento na sequência. Adson e Mantuan agradaram a VP desde os primeiros treinos. O primeiro pela sua postura na frente, já o segundo pela obediência tática, já que, quando necessário, pode até alterar ser ‘assistente de lateral’ em uma linha de cinco atletas na fase defensiva, quanto pode se despachar para o ataque, criando jogadas linha de fundo e conversando muito com Fagner durante a partida.

Róger Guedes corre por fora, pois, por enquanto, tem sido visto como um centroavante nesse elenco do Timão.

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